Pablo Marçal entrou na disputa como alvo preferencial e, enquanto os adversários gastam energia tentando contê-lo, Flávio Bolsonaro ganha espaço para correr por fora. O Reel de Leonardo Ruy interpreta que Marçal elevou a pressão sobre Lula e Renan Santos, funcionando como uma espécie de para-raios eleitoral. A pesquisa BTG/Nexus confirma que sua presença altera o tabuleiro: com Marçal, Lula marca 40%, Flávio 34% e o empresário 4%; sem ele, Lula tem 41% e Flávio 37%. Ou seja, Marçal retira votos dos dois líderes — especialmente de Flávio —, mas também concentra os ataques e pode evitar que o senador seja o único alvo da campanha.

O efeito mais importante pode surgir fora da fotografia do primeiro turno. Flávio está tecnicamente empatado com Lula no segundo, por 45% a 46%, e começou a apresentar ao empresariado uma agenda de responsabilidade fiscal, redução de despesas e menor intervenção do Estado. A leitura de que a Faria Lima passou a observá-lo nasce desse movimento, não de uma adesão formal do mercado. Marçal pode complicar a votação inicial de Flávio, mas, se continuar atacando Lula e os candidatos que disputam o mesmo espaço da direita, também poderá ajudá-lo a chegar ao confronto decisivo menos desgastado.