Campanha de Lula leva críticas ao preço da comida para o TSE
Pedido de investigação sobre vídeos de supermercados transforma insatisfação popular em disputa judicial e provoca reação
Quando o brasileiro abre a geladeira e percebe que o dinheiro acabou antes do mês, o problema não está na câmera do celular — está no preço que ele acabou de pagar. Ainda assim, a campanha de Lula levou ao TSE um pedido para investigar uma suposta ação “coordenada e inautêntica” de influenciadores que publicaram vídeos criticando o custo dos alimentos. O argumento é que mais de 20 perfis teriam repetido roteiros, imagens e até produtos com o mesmo código de barras, alguns após receberem doações ou homenagens políticas. Se houve financiamento clandestino, perfis falsos ou propaganda eleitoral sem identificação, a Justiça deve apurar. Mas transformar a reclamação sobre arroz, carne e feijão em suspeita judicial cria um perigoso efeito de intimidação sobre qualquer cidadão que resolva mostrar a própria compra.
A afronta está na inversão de prioridades: em vez de responder ao bolso, tenta-se responder à repercussão. Levantamento citado pelo UOL aponta que quase 70% dos brasileiros consideram que o custo de vida aumentou, embora dados do IPCA indiquem alta dos alimentos menor no atual mandato do que entre 2019 e 2022. Essa diferença estatística não apaga a perda de poder de compra sentida no caixa. A campanha pode contestar preços manipulados e denunciar operações financiadas, mas não pode tratar a indignação popular como desinformação automática. Em uma democracia, questionar o valor da comida não é ataque ao governo; é cobrar do governante a realidade que aparece todos os dias na nota fiscal.

