O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, deu cinco dias para que o Tribunal Superior Eleitoral explique a anulação dos 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), decisão que fez Douglas Ruas (PL) ser declarado eleito governador do Rio de Janeiro já no primeiro turno. O despacho foi assinado na sexta-feira, dia 16, e divulgado nesta segunda-feira, dia 19, dentro de uma ação do PSD, partido de Eduardo Paes, que tenta derrubar o resultado e forçar um segundo turno entre os dois candidatos.

A decisão de Zanin é apenas um pedido de informações, já que o ministro não concedeu a liminar solicitada pelo partido nem restabeleceu o segundo turno, e deixou para depois tanto a análise do mérito quanto a avaliação sobre se o STF pode sequer julgar esse tipo de ação. Depois da resposta do TSE, a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República também terão cinco dias para se manifestar, o que significa que a eleição de Ruas continua valendo enquanto o caso tramita.

A disputa começou quando o TSE negou, no dia 8 de outubro, o registro da candidatura de Garotinho e determinou a anulação definitiva dos votos dados a ele, que haviam sido registrados como sub judice. Com a retirada desses votos da conta, Ruas passou de 49,27% para 50,88% dos votos válidos, superando a maioria absoluta exigida, e o Tribunal Regional Eleitoral do Rio refez a apuração no dia 10 e o declarou eleito, enquanto Paes ficou com 44,16% após o novo cálculo.

Na ação, o PSD sustenta que os eleitores de Garotinho votaram porque o nome dele estava na urna e que, por isso, esses votos não deveriam ser excluídos da base usada para calcular se alguém venceu sem segundo turno, pedindo uma nova votação no domingo, dia 25, ou em outra data antes da diplomação. Esta é a segunda vez que Zanin analisa o caso, já que no início de outubro ele rejeitou uma tentativa anterior da coligação de Paes de impedir o encerramento da eleição, por entender que a coligação ainda precisava esgotar os recursos na Justiça Eleitoral.