O Wall Street Journal escreveu nesta terça, 6 de outubro, na reportagem de Samantha Pearson, que Bolsonaro já não é apenas um homem, e sim uma ideia, na formulação que o jornal atribui a cientistas políticos, e uma ideia que hoje ressoa entre os brasileiros mais do que qualquer outra, publicada no dia seguinte ao primeiro turno em que o sobrenome, com Jair sob prisão domiciliar, colocou Flávio Bolsonaro na frente de Lula.

Flávio, senador do Rio de 45 anos, fez 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula e vai ao segundo turno em 25 de outubro, enquanto o PL quase dobrou a bancada do Senado e chega a 28 cadeiras em 81, o maior bloco de um só partido em quase quatro décadas, e segue como o maior partido da Câmara, com Michelle Bolsonaro eleita senadora pelo Distrito Federal e Carlos Bolsonaro eleito senador por Santa Catarina, ao lado de Carol de Toni, e o jornal ainda registra cadeira na Câmara para o irmão de Jair, Renato, em São Paulo, e para o filho mais novo, Jair Renan, em Santa Catarina.

A reportagem apoia a frase em dois nomes, Brian Winter, editor da Americas Quarterly, que disse que o Brasil de hoje é um país de centro-direita, que o Brasil da bossa nova e do samba que Lula conheceu foi substituído por um país de chapéu de caubói, megacurchas e shoppings, com muito em comum com os Estados Unidos, e o cientista político Leonardo Barreto, de Brasília, que disse haver a percepção de que alguém com o sobrenome Bolsonaro não trai o objetivo do movimento, porque a lealdade é ao líder e à família, e o jornal lembra que mais de um quarto dos brasileiros hoje é evangélico, ante 9% em 1991, e que uma geração sem memória da ditadura passou a identificar o fracasso político com os escândalos e a crise econômica dos governos do PT.