Vorcaro negociou cotas do jato Legacy 650 com o escritório de Viviane Barci
Segundo contrato, de R$ 50 milhões, previa dação de cotas do Legacy PP-NLR e de um helicóptero Airbus. A PF descreve uso. A Junta Comercial, até agora, não registra a transferência.
Além do contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes — 36 parcelas de cerca de R$ 3,6 milhões, interrompidas na liquidação do banco —, a Polícia Federal descreveu um segundo acordo. Em maio de 2025, a Viking Participações, holding patrimonial de Daniel Vorcaro, e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, trataram de R$ 50 milhões em “serviços jurídicos”. A minuta, enviada em 16 de maio pelo advogado Leonardo Palhares, previa R$ 40 milhões em dação de cotas de duas aeronaves e R$ 10 milhões como reembolso de voos.
Os bens estão em SPEs de compartilhamento: Fraction 024 (F24), dona do jato Embraer Legacy 650 prefixo PP-NLR, cota orçada em US$ 5,51 milhões; e Fraction 053 (F53), que adquiria o helicóptero Airbus EC155 B1, cota de US$ 1,33 milhão. A operação passava pela Prime You, de Marcus Vinicius da Mata. Vorcaro pediu que a brochura das aeronaves fosse mandada a Viviane. Em julho, cobrou se “eles” já usavam. Da Mata encaminhou o recorte da conversa com a advogada: “estão gostando da utilização das cotas de vocês?”. A resposta atribuída a Viviane: “Sim, estamos gostando muito, todos que nos atenderam sempre foram muito educados e atenciosos.” O sócio disse a Vorcaro que já tinham usado “aviões e helicópteros”, que o variável não fora cobrado por mudança de contrato “Barci” para outra empresa (“Lux”), e que as duas cotas da P1 ainda iam a ajuste.
O g1 consultou a Junta Comercial de São Paulo: nas fichas da F24 e da F53 não há, até a publicação, registro de transferência de cotas ao escritório. O relatório da PF documenta contrato, minuta, brochura, uso relatado e a frase da advogada. Não fecha, sozinho, averbação societária. O primeiro contrato já havia sido tratado como “o mais importante” por Vorcaro — “o careca não pode atrasar” — e o escritório confirmou que Moraes viu a minuta de R$ 131 milhões, por metadado “Ministro Alexandre de Moraes”, e não viu impedimento porque nunca julgou causa do Master. Cabe à defesa de Viviane e ao ministro explicar o segundo contrato, o uso das aeronaves e a ausência de registro na Junta. Cabe à PF e a Mendonça dizer se a dação se consumou ou ficou no WhatsApp.

