Na semana passada, André Mendonça determinou que a Polícia Federal produzisse, em 72 horas, um relatório com todas as menções a Alexandre de Moraes, ao diretor-geral Andrei Rodrigues e ao procurador-geral Paulo Gonet no material da operação Compliance Zero. Nesta segunda (31), o relator do caso Master no STF encaminhou o relatório à PGR, deu cinco dias para Gonet se manifestar e, nesta terça (1º), retirou o sigilo e pediu sessão pública do plenário. A leitura da cúpula da PF e de interlocutores dos três citados é que Mendonça não pediu um relatório: pediu investigação de ministro, de procurador-geral e do próprio chefe da polícia sem autorização do plenário nem de Edson Fachin.

Andrei Rodrigues disse a interlocutores, segundo o UOL e o R7, que a ordem configura abuso de autoridade, é ilegal e pode anular atos da apuração. No entendimento que circula no Supremo, investigar ministro exige o colegiado. Interlocutores de Moraes resumiram o relator numa frase: “Mendonça se perdeu no amor pelo caso.” O caminho aventado para revidar é o próprio Gonet pedir a Fachin que admita abuso e abra inquérito contra o colega. Nenhum dos três gabinetes havia publicado nota formal até o fechamento desta matéria; a CBN registrou que procurou Moraes, Andrei, Gonet e a defesa de Vorcaro e não obteve resposta.

O relatório que Mendonça tornou público é o mesmo em que Vorcaro pede ao número atribuído a Moraes que “reforce com Andrei e Paulo” para “ninguém de baixo” avançar contra o Master. A PF não achou Gonet nem Andrei na agenda de telefones do banqueiro; achou o pedido no WhatsApp com Moraes. O despacho do relator e a reação dos citados estão documentados por fontes. O que ainda não existe é representação protocolada, decisão de Fachin ou voto do plenário. Cabe a Gonet responder no prazo de cinco dias — e explicar se a PGR vai investigar o pedido de Vorcaro ou o ministro que mandou ler o pedido.