Na manhã de segunda-feira (31), o Samu entrou no condomínio Casal Buono, em Limeira, interior de São Paulo, para atender um homem ferido por arma de fogo. Encontrou o promotor Luiz Alberto Segalla Bevilacqua já sem vida, no quarto, com tiro na cabeça. Uma arma estava ao lado do corpo. O imóvel ficou com a Polícia Civil. O corpo foi para o IML.

Bevilacqua tinha 55 ou 56 anos — as notas oscilam — e era o 4º Promotor de Justiça de Limeira, titular da Promotoria do Meio Ambiente. Entrou no Ministério Público de São Paulo em 1995. Passou pelo Gaeco, o grupo do MP que investiga crime organizado. Foi professor universitário. A Procuradoria-Geral de Justiça falou em “combatividade no enfrentamento aos ilícitos de qualquer natureza”. A Prefeitura decretou três dias de luto. A Associação Paulista do Ministério Público e a OAB de Limeira publicaram pesar.

O QUE A POLÍCIA JÁ DISSE

O delegado Américo Sidnei Rissato, da Seccional de Limeira, disse à TV Globo: o promotor foi achado no quarto, sem vida; varredura na casa; perícia; “nada de anormal”, nenhum sinal de arrombamento. Até esta publicação, não há laudo do IML, não há inquérito concluído e não há classificação oficial da morte.

Tiro na cabeça, arma ao lado e porta intacta não fecham sozinhos homicídio nem suicídio. Quem crava uma das duas teses no primeiro dia inventa o que a autoridade ainda não escreveu.

QUEM ERA O PROMOTOR

Além do Gaeco, Bevilacqua atuou em meio ambiente, patrimônio público, improbidade e interesses coletivos. A Prefeitura de Limeira cita parceria em ações contra perturbação do sossego e chácaras irregulares. Carreira de três décadas no interior, longe do holofote de São Paulo, perto de conflito concreto: terra irregular, crime organizado, prefeitura.

Morte de membro do MP que passou pelo Gaeco exige apuração sem pressa de narrativa. Se foi crime, o Estado precisa dizer quem atirou. Se não foi, o Estado precisa dizer com laudo, não com vazamento.

O CONTRADITÓRIO

Não há, nas notas oficiais do MP-SP, da Polícia Civil ou da Prefeitura, atribuição de autoria, de móvel ou de natureza jurídica do fato. Relatos de vizinhos e de portais locais descrevem a cena. Descrever a cena não é concluir o inquérito.

A sequência agora é perícia, IML e delegado. Qualquer outra sentença — “se matou”, “foi o PCC”, “foi política” — é opinião sem papel timbrado. O Ministério Público que Bevilacqua integrou cobra prova de todo mundo. Cabe cobrar a mesma prova da morte dele.