Familiares de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, procuraram ao menos três escritórios de advocacia de Brasília na última semana em busca de um novo defensor para tentar destravar uma terceira proposta de delação premiada. A informação foi apurada pela analista de Política da CNN Larissa Rodrigues e reforça o desespero da defesa do banqueiro preso preventivamente.

A iniciativa acontece após sucessivas rejeições das colaborações apresentadas pela defesa de Vorcaro, que não convenceram investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. O banqueiro está no centro da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes estimadas em bilhões de reais envolvendo carteiras de crédito fictícias, liquidação do banco e supostas propinas a agentes públicos.

BUSCA POR NOVO ADVOGADO PARA TERCEIRA TENTATIVA DE DELAÇÃO

A família de Vorcaro tenta reforçar a equipe jurídica com nomes de peso para retomar as negociações. O banqueiro já trocou de advogados múltiplas vezes nos últimos meses. José Luís Oliveira Lima (Juca) deixou o caso após a primeira proposta ser rejeitada, e o criminalista Sérgio Leonardo assumiu a frente, mantendo proximidade pessoal com o cliente. A nova rodada de contatos indica insatisfação com o andamento e pressão para apresentar um acordo mais robusto.

REJEIÇÕES ANTERIORES E RESISTÊNCIA À COLABORAÇÃO

As duas propostas anteriores foram consideradas insuficientes. Investigadores apontam omissões sobre aliados políticos e falta de profundidade nos relatos, mesmo com provas extraídas de celulares e depoimentos. Vorcaro resistiu inicialmente a assumir o papel de delator, minimizando pagamentos como “amizades” e evitando entregar detalhes comprometedores. A PF e PGR exigem mais consistência, especialmente sobre o rombo no Master e conexões com o poder.

CONEXÕES COM O PODER E PONTOS POLÊMICOS

O Caso Master envolve relações delicadas com figuras dos Três Poderes. Destaque para o contrato milionário do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e contatos com outros ministros do STF, como Dias Toffoli. Mensagens reveladas e pagamentos a políticos ampliam o escândalo, que bolsonaristas e conservadores veem como sintoma de um sistema capturado por interesses escusos e ativismo judicial seletivo.

A direita observa Vorcaro como peça de um esquema maior que expõe hipocrisia: enquanto o governo Lula e aliados no STF atuam com rigor contra opositores, o banqueiro negocia benefícios em um caso que poderia abalar Brasília. A lentidão nas tratativas e possíveis “acordos seletivos” geram desconfiança sobre a real vontade de esclarecer tudo.

IMPACTOS E O QUE PODE DESENCADEAR

Uma delação efetiva poderia atingir parlamentares, ministros e operadores políticos, ampliando a Operação Compliance Zero. No entanto, as resistências de Vorcaro e a prisão de familiares, como o pai Henrique Vorcaro, complicam o cenário. O caso reforça críticas conservadoras ao ativismo do STF e à fragilidade da segurança jurídica no Brasil, onde grandes esquemas financeiros parecem protegidos por relações de poder.