VÍDEO MOSTRA MORAES DESEMBARCANDO DE JATINHO LIGADO A VORCARO
Imagens contradizem declaração anterior do ministro e reacendem suspeitas sobre aeronaves e contratos do escritório de sua esposa
Um vídeo divulgado pelo jornal O Globo mostra Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2025. Segundo a reportagem, a aeronave era um Legacy 650 ligado a uma empresa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O registro contradiz uma nota oficial divulgada anteriormente pelo STF, na qual Moraes afirmou que jamais havia viajado em avião do banqueiro.
Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro indicam que o casal já utilizava aviões e helicópteros administrados pela empresa PrimeYou. Em uma troca de mensagens de julho de 2025, o empresário Marcos Matta confirma a Vorcaro o uso das aeronaves por Moraes e Viviane e menciona alterações contratuais envolvendo o escritório da advogada e a empresa Lux. O material será analisado no contexto da investigação que apura as relações entre o Banco Master, autoridades públicas e prestadores de serviços jurídicos.
Um vídeo da CNN Brasil também reproduz a informação de que a PF identificou uma negociação para transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como parte do pagamento de serviços advocatícios prestados pelo escritório de Viviane Barci. O relatório menciona um contrato de R$ 50 milhões, dos quais R$ 40 milhões seriam quitados com as cotas das aeronaves e R$ 10 milhões corresponderiam a reembolsos de despesas. Moraes e a defesa do escritório afirmam que esse contrato nunca existiu ou não foi assinado.
A existência do voo e das mensagens não prova, por si só, crime ou favorecimento indevido, mas aumenta a necessidade de esclarecimentos sobre a declaração feita pelo ministro, a titularidade real das aeronaves, os contratos e a cadeia de pagamentos. O caso se tornou um dos principais pontos da crise do STF porque envolve possível conflito de interesses e coloca sob questionamento a transparência das relações entre um ministro da Corte, sua família e um banqueiro investigado.

