O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou à Polícia Federal, neste sábado (19 de setembro de 2026), que seu gabinete não conseguiu obter acesso efetivo aos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, segundo divulgado por Metrópoles. A manifestação veio na sequência do ofício do ministro André Mendonça, relator do caso Master, que já havia acionado a corporação pedindo ajuda técnica. A mídia com a cópia da íntegra — de um iPhone 17 Pro apreendido em 18 de novembro de 2025 na Operação Compliance Zero — havia sido encaminhada aos dois gabinetes na quinta-feira (17/9).

Ministro Luiz Fux, do STF, que pediu auxílio técnico à PF para acessar o dump do celular de VorcaroMinistro André Mendonça, relator do caso Master, que primeiro registrou falta de acesso ao material

Em ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Fux registrou que, até a assinatura do documento, os dados permaneciam indisponíveis para exame e análise e pediu o auxílio técnico operacional necessário. Antes, Mendonça já havia apontado a possibilidade de “dificuldades de ordem técnica operacional” ou de “algum tipo de defeito contido na mídia entregue” e solicitado a conferência da “higidez do material especificamente entregue”, afirmando: “Este Gabinete não logrou êxito em obter acesso efetivo ao material ali contido”. Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes já haviam recebido cópias no início da semana, enquanto trechos do aparelho seguiram sendo divulgados seletivamente no debate público.

Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, cujo celular foi apreendido na Operação Compliance ZeroPlenário do STF, onde tramita o caso Master e a disputa pelo acesso aos dados do celular

O episódio reforça a tese de opacidade e de prova seletiva no STF: o dump do celular de Vorcaro chegou a ministros alinhados à narrativa contra o então relator e a nomes do entorno de Moraes, mas permanece inacessível justamente a quem pediu a íntegra para confrontar o material. O ofício de Fux, após o de Mendonça, não prova, por si só, sabotagem da mídia, mas torna indispensável esclarecer por que a mesma PF que entregou o dump não garante acesso efetivo a dois ministros — e por que trechos vazam enquanto a cópia oficial fica inoperante.