TSE ESCOLHE QUEM PODE OLHAR A URNA E FECHA A PORTA PARA QUINZE MISSÕES
A corte que organiza o voto negou do observatório da Universidade de La Plata ao Foro de Madri e ficou com OEA, União Europeia e Parlasul
O Tribunal Superior Eleitoral, corte presidida por Kassio Nunes Marques, negou o credenciamento de quinze missões que pediram para acompanhar a eleição de domingo, lista que a CNN publicou nesta quarta e que o Metrópoles também reproduziu, e nela não estão só o Foro de Madri, ligado ao Vox, e a Alternativa Democrática Nacional, de Portugal, porque o não alcança a Transparencia Electoral, de Buenos Aires, o observatório eleitoral da Universidade Nacional de La Plata, a Defensoria del Pueblo da cidade de Buenos Aires, a Brazilian Studies Association e o Eurolat, ao lado de SNAS África, World Peace Volunteers e o Parlamento Internacional de Direitos Humanos, gente cujo pedido era olhar, não apertar o botão da urna.
A regra que o tribunal usa para escolher o público é a resolução 23.678, de 2021, que exige acordo prévio com o próprio TSE e cobra experiência, estrutura, capacidade técnica, observações anteriores e prestígio dos dirigentes, filtro que o tribunal, no seu site, descreve como instrumento para ampliar a transparência, checar a auditoria do sistema eletrônico e fortalecer a confiança, e que na prática transforma o organizador do pleito no porteiro de quem pode testemunhar o pleito, sem que as reportagens de hoje tragam, nome por nome, qual desses requisitos cada uma das quinze deixou de cumprir, embora fontes da corte tenham dito à coluna de Igor Gadelha, na semana passada, que a missão precisaria estar ligada a instituição reconhecida, critério que não explica, à primeira vista, uma universidade e uma associação de estudos brasileiros na mesma lista de um partido.
Quem passou, segundo o Metrópoles, são oito entidades, e as que a corte e o jornal nomeiam são a OEA, a União Europeia, o Parlasul, a Uniore, a Roaje da comunidade de língua portuguesa e a Liga dos Estados Árabes, esta última já convidada pelo TSE em julho junto com a União Africana, de modo que o sim se concentrou em governo e organismo multilateral, enquanto o não tirou de cena o fórum cujo manifesto de 2020, contra o que chamou de avanço do comunismo, foi assinado por Eduardo Bolsonaro, María Corina Machado, José Antonio Kast e Santiago Abascal, e que em 2024 contratou Ernesto Araújo como assessor internacional, ao lado de uma entidade argentina que diz existir para medir a integridade do voto na América Latina.
A quatro dias da urna, a pergunta que o eleitor pode fazer é a mais simples, porque um observador credenciado não conduz a eleição, não mexe na urna e não proclama vencedor, e quanto mais olhos independentes houver sobre a preparação, a votação, a apuração e a auditoria, mais fácil fica mostrar que o pleito foi limpo, de sorte que barrar quinze pedidos e ficar com quem a própria corte convidou não protege a lisura, só reduz o número de gente de fora capaz de confirmá-la, e uma corte que escreve a regra e escolhe os convidados deve a cada não uma razão pública, sob pena de a transparência que ela anuncia no site valer só para quem já estava na lista.

