O Tribunal Superior Eleitoral aprovou por unanimidade o envio de força federal a 66 municípios do Ceará no primeiro turno das eleições de 2026. A solicitação havia sido aprovada pelo TRE-CE em julho, e as tropas atuarão ao lado das forças estaduais para preservar a ordem, a liberdade do voto e a apuração. A autorização não significa que todos os municípios estejam sob domínio criminoso, mas chega em um cenário no qual a interferência de facções passou a integrar as preocupações concretas da Justiça Eleitoral.

Em 11 de agosto, o Ministério Público do Ceará e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado deflagraram a Operação Omertá, que apura a atuação de uma organização criminosa nas eleições de 2024 e 2026 em Sobral. Segundo o MPCE, o grupo cobrava uma espécie de “pedágio” de cerca de R$ 60 mil para permitir que candidatos entrassem em determinados bairros, além de tentar direcionar eleitores por coação e ameaça. Foram cumpridos 14 mandados de prisão e 25 de busca; vereadores, um assessor jurídico, uma policial militar e suspeitos ligados à facção figuraram entre os alvos. São fatos sob investigação, e não condenações definitivas.

Há, sim, precedente documentado de veto voltado a nomes da direita. Em 2018, o El País publicou, com base em informações da Procuradoria Regional Eleitoral, uma circular atribuída ao Comando Vermelho que proibia propaganda do PROS e citava Jair Bolsonaro, Capitão Wagner e Vitor Valim. O registro comprova que já houve restrição com componente ideológico no Ceará, mas não autoriza afirmar, sem novas provas, que a operação de 2026 atinja exclusivamente a direita: a apuração atual descreve extorsão e controle territorial sobre candidatos em geral.