Flávio Bolsonaro marcou para esta quinta-feira, em São Paulo, um jantar reservado com empresários e integrantes do mercado financeiro, dentro de uma agenda que também inclui encontros políticos. A reunião foi articulada por Marcelo Kayath, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil, que em maio reuniu Flávio com cerca de 20 empresários e representantes do setor em Miami. O movimento é importante porque permite ao candidato apresentar diretamente sua equipe e suas propostas econômicas, responder às dúvidas sobre equilíbrio fiscal e diminuir a resistência que parte da Faria Lima demonstrou à candidatura bolsonarista.

O apoio do mercado não entrega votos automaticamente, mas pode produzir três efeitos: ampliar doações e redes empresariais, transmitir confiança a investidores e convencer partidos do Centrão de que Flávio possui viabilidade eleitoral e condições de governar. Essas legendas costumam observar pesquisas, estrutura de campanha e capacidade de articulação antes de escolher um lado. Se empresários relevantes passarem a tratar Flávio como alternativa competitiva a Lula, União Brasil, PP, PSD e Republicanos terão mais incentivo para se aproximar. Essa força também poderia sustentar uma agenda constitucional de limites a decisões monocráticas e reformas do STF, mas não autoriza confronto fora das regras democráticas: mudanças dependem de Congresso, quórum e respeito à separação dos Poderes.

As pesquisas ajudam a explicar a ofensiva. No BTG/Nexus, Lula aparece com 41% e Flávio com 37% no primeiro turno; no segundo, há empate técnico de 46% a 45%. O Datafolha registrou Lula com 39% e Flávio com 33%, depois de o candidato do PL oscilar de 31% para 33%, dentro da margem de erro. Já o PoderData/Aya divulgado nesta quinta mostrou 38% a 35% no primeiro turno e 45% a 44% no segundo. A “rasteira” em Lula, portanto, é estratégica e ainda não uma vitória consumada: ao disputar diretamente a confiança do capital e do Centrão, Flávio tenta retirar do presidente a vantagem da governabilidade e transformar a polarização eleitoral em coalizão capaz de vencer em outubro.