TRUMP NÃO ENDOSSA FLÁVIO E WASHINGTON CALCULA SE VAI RECONHECER O RESULTADO
Perguntado na sexta sobre apoio ao senador, Trump repetiu que observa a eleição de perto. Uma fonte americana ouvida pelo UOL vê risco de não reconhecimento se a derrota de Flávio for apertada
Mariana Sanches publicou neste sábado (3), no UOL, que Washington ainda não decidiu como vai se colocar diante do resultado das urnas no Brasil, do mesmo modo que até agora não deu um endosso explícito a um candidato, como Donald Trump fez recentemente na Argentina e na Colômbia. Perguntado na sexta (2) sobre apoio ao senador Flávio Bolsonaro, Trump preferiu dizer apenas que “estamos acompanhando tudo e observando a eleição muito de perto”. Alas do governo dele não escondem a preferência por Flávio, mas calculam o passo, porque uma ação lida como interferência americana pode prejudicar o próprio candidato.
Nick Zimmerman, fundador da consultoria Dinámica Américas e ex-diretor para o Brasil e o Cone Sul no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, disse ao UOL que o contraste com 2022 é impressionante e sem precedentes, e que acha bem possível que desta vez os Estados Unidos não reconheçam o resultado. Em 2022, Joe Biden reconheceu Lula em menos de 40 minutos depois do anúncio do TSE e falou em eleição livre, justa e digna de confiança. Uma fonte diplomática americana de alto nível, que acompanha o pleito, foi mais específica: há um risco real de não reconhecimento por Washington se Flávio perder por uma margem apertada.
O governo Lula nega preocupação. Uma fonte do Planalto disse ao UOL que Mark Carney, Emmanuel Macron e Pedro Sánchez vão se apressar para parabenizar e isolar o que chamou de arroubos de Trump. Embaixadores brasileiros minimizaram o peso do gesto. Um deles afirmou que quem decide a eleição é o povo do Brasil e que o país não precisa que outro diga quem deve governar. Outro disse que Trump não reconhece eleição nem no próprio país, e que o que ele fizer é problema dele. Do lado americano, outra fonte diplomática lembrou que, se Washington não reconhecer, fica isolada, porque a Europa, a China e outros países vão reconhecer, e o Brasil não é a Venezuela nem a Nicarágua. O New York Times relatou que missões da União Europeia, do Canadá, do Japão e da Austrália estão prontas para reconhecer o resultado. Paulo Abrão, ex-secretário de Justiça, lembrou que nos Estados Unidos o reconhecimento formal de um governo estrangeiro cabe ao presidente, orientado por Marco Rubio, e que uma recusa pode alimentar o argumento de fraude e pesar na relação entre os dois países. O primeiro turno é domingo.

