O Ministério Público de São Paulo denunciou nesta sexta (2) o vereador Senival Pereira de Moura, do PT, e mais 20 pessoas por um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital no transporte por ônibus. A operação Última Parada, deflagrada em junho pelo MP e pelo Deic, aponta Senival como líder oculto da Transunião e como instância superior de comando. Ele foi preso em 25 de junho, solto no início de agosto por habeas corpus, e responde em liberdade. A investigação começou em 2020, depois do assassinato de Adauto Soares Jorge, que presidia a empresa.

Além do vereador, a denúncia alcança Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, apontado como autor daquele homicídio e articulador da lavagem. Leonel Moreira Martins aparece como operador financeiro e elo com o núcleo familiar que se beneficiava. Lourival de França Monário é o diretor-presidente formal da Transunião, citado por movimentação incompatível. Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, é descrito como operador e suporte de Senival. A CNN registrou que a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões em recurso público só em 2025 para operar linhas na capital. Mensagens da investigação mostram repasses e decisões da empresa dependendo da anuência do petista, chamado de presidente, véio, velhinho e vereador. Planilhas indicam que ele seria o beneficiário real de ao menos 13 ônibus em nome de terceiros ou da própria empresa, com CPF dele, da mulher e dos filhos ligado aos ativos. Entre 2019 e 2022, ele movimentou mais de R$ 8,7 milhões, dos quais R$ 2,47 milhões sem origem declarada, além de imóvel de alto padrão tido como incompatível com o salário de vereador.

A defesa nega. O advogado Márcio Sayeg disse ao Metrópoles que Senival reafirma que jamais integrou organização criminosa, jamais manteve vínculo com o PCC e jamais participou de esquema de lavagem ou de ocultação de dinheiro ilícito. O advogado acrescentou que o vereador colabora com as investigações e acredita que a análise técnica e imparcial das provas vai esclarecer os fatos. A denúncia está feita. O julgamento não.