CÚPULA DO EXÉRCITO COBRA DO STF O MESMO RIGOR QUE A CORTE USOU CONTRA OS OFICIAIS
A Veja publicou em 19 de setembro que o comando está revoltado com o que chama de omissão diante das provas da PF sobre Moraes e que a frase interna foi que o tribunal lute com a própria desgraça
A revista Veja publicou em 19 de setembro que integrantes da cúpula do Exército estão revoltados com o que chamam de omissão do Supremo ao avaliar as provas da Polícia Federal contra Alexandre de Moraes. O texto é de Robson Bonin, na coluna Radar. Na visão desses militares, o mesmo rigor que a Corte usou contra os oficiais acusados de envolvimento na trama golpista deveria aparecer agora, quando o tribunal examina possíveis crimes de um dos próprios ministros, a partir do material do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O julgamento que decidiria se a investigação contra Moraes seria aberta foi na terça (15). A Corte não chegou ao mérito, porque Flávio Dino pediu vista depois de uma sessão marcada por tumulto, e o caso saiu de pauta antes da análise. A Veja registrou que ninguém na caserna vai alimentar a crise com uma fala pública que possa ser lida como afronta institucional. O que um interlocutor do comando disse à revista foi direto: “O STF que lute com sua desgraça.”
O comando, portanto, ficou em silêncio do lado de fora e guardou a cobrança para quem a revista ouviu por dentro. Dias depois, no programa ALive de 2 de outubro, Claudio Dantas afirmou que militares já tinham mandado recado a ministros do Supremo, entre eles Gilmar Mendes e Edson Fachin, de que não contassem com as Forças se a Corte provocasse uma crise, violasse a Constituição ou boicotasse a eleição. As duas falas caminham no mesmo sentido. O Exército olha o que o tribunal faz com Moraes, cobra o rigor que a própria Corte aplicou aos oficiais, e avisa que a bronca não será carregada pela farda.

