O empresário colombiano Alex Saab, apontado pelos Estados Unidos como testa de ferro de Nicolás Maduro, declarou-se culpado nesta terça-feira (15) em corte federal de Miami de conspiração para lavagem de dinheiro. Diante da juíza Kathleen M. Williams, trocou o “não culpado” de julho por “culpable, señoría”. O acordo com o Departamento de Justiça prevê a entrega de US$ 195 milhões, debriefings com agentes federais e informação completa sobre “altos funcionários da Venezuela”. A pena máxima do cargo é de 20 anos. A sentença deve sair em janeiro. A Fiscalía pode pedir redução se a cooperação for útil.

Saab admitiu esquema de subornos, a partir de 2015, para obter contratos do programa de alimentos CLAP e lavar o produto em contas nos Estados Unidos, inclusive com venda de petróleo da PDVSA depois das sanções. O comunicado do DOJ descreve quase uma década de fraude em comida e remédio. Bloomberg e o Miami Herald registram que a colaboração pode reforçar o processo de Maduro e Cilia Flores em Nova York, marcados para 2027. O pacto de 12 páginas não cita o julgamento do venezuelano pelo nome, mas manda Saab “não proteger nenhuma pessoa por omissão”.

A pergunta que a cooperação abre é o alcance. Em 2021, o ex-chefe da inteligência venezuelana Hugo Carvajal, o El Pollo — depois delator nos EUA —, escreveu a um juiz espanhol que o chavismo financiou por 15 anos campanhas de esquerda na América Latina e na Europa e citou Lula, Gustavo Petro, Cristina Kirchner, Evo Morales, Fernando Lugo, Manuel Zelaya e Ollanta Humala. A denúncia americana contra Maduro, baseada em Carvajal, não repetiu esses nomes. Saab manuseou o caixa. Se cumprir o acordo, o DOJ ganha o operador financeiro do mesmo circuito. Ainda não há lista pública de presidentes no anexo de terça. Há o homem do dinheiro disposto a falar para reduzir a pena.