TARCÍSIO PREVÊ LIBERAÇÃO EMERGENCIAL DE CRÉDITO DE ICMS PARA AMENIZAR IMPACTOS DO TARIFAÇO
Governador de São Paulo afirma que estado deve repetir medidas de 2025, com antecipação de créditos do ICMS a exportadores. Governo federal já anunciou pacote de R$ 18,5 bilhões.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (22) que o Brasil deve insistir nas negociações com os Estados Unidos para tentar reduzir os impactos do novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo ele, esse é o único caminho viável, e qualquer medida de reciprocidade apenas agravaria a situação.
ESTADO PLANEJA REPETIR MEDIDAS QUE FUNCIONARAM EM 2025
Questionado sobre ações do governo paulista para amenizar os efeitos da sobretaxa americana, Tarcísio disse que pretende repetir as medidas adotadas no ano passado, durante a primeira rodada de tarifas. A principal delas é a liberação emergencial e antecipada de créditos acumulados de ICMS para empresas exportadoras afetadas.
“Na situação passada, quando a tarifa aconteceu no ano passado, a gente fez uma liberação emergencial de crédito de ICMS. Pegamos os exportadores, fizemos a antecipação da liberação desses créditos e calendarizamos para dar previsibilidade de fluxo de caixa. A ideia do estado é trabalhar na mesma linha, porque é um remédio que funcionou”, afirmou o governador.
Tarcísio ressaltou que o governo estadual acompanhará atentamente as linhas de crédito anunciadas pelo governo federal e avalia pedidos de setores por redução de juros e liberação de IOF em operações de crédito, para adequar as medidas paulistas à realidade fiscal do estado.
GOVERNO FEDERAL ANUNCIA R$ 18,5 BILHÕES EM CRÉDITO
No mesmo dia, o governo federal lançou a terceira edição do programa Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para capital de giro e investimentos destinadas a empresas atingidas pelo tarifaço. Do total, R$ 13,5 bilhões vêm do Tesouro e R$ 5 bilhões do BNDES. As taxas variam de 6,5% a 9,8% ao ano, inferiores às da edição anterior.
O presidente Lula criticou a falta de reciprocidade do governo americano nas negociações. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil deve continuar buscando solução diplomática e que o objetivo não é guerra comercial. Alckmin também criticou “maus brasileiros” que, segundo ele, disseminam informações equivocadas e prejudicam a economia./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/z/4/ey9PJpSK6er3psvlJ1bQ/114452714-pabrasilia02-04-2026geraldoalckmin-vicepresidente-cafedamanhavice-presidented.jpg)
DISCUSSÃO SOBRE RECIPROCIDADE DIVIDE GOVERNO E SETOR PRIVADO
Embora exista debate no Planalto sobre a aplicação da lei de reciprocidade econômica — que permitiria tarifas semelhantes sobre produtos americanos —, a tese não é unânime. O setor empresarial tem criticado a possibilidade, temendo escalada da disputa comercial.
A sobretaxa de 25% dos Estados Unidos, que afeta cerca de 3 mil produtos brasileiros (incluindo etanol, máquinas agrícolas, papel, calçados e vestuário), entrou em vigor nesta quarta-feira (22), com efeitos plenos a partir do dia 29. Produtos como café, carne e suco de laranja ficaram isentos.
São Paulo, principal estado exportador do país, concentra grande parte das empresas potencialmente impactadas. A liberação de créditos de ICMS, se confirmada nos moldes de 2025, deve priorizar exportadores com saldo acumulado, oferecendo liquidez imediata enquanto as negociações comerciais avançam.

