Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão evitando assistir aos jogos da Copa do Mundo sediados nos Estados Unidos por temor de serem barrados em aeroportos ou estádios em razão de sanções e restrições ligadas à Lei Magnitsky. O episódio expõe o desconforto e o isolamento internacional de integrantes da Corte, especialmente aqueles mais associados ao ativismo judicial e à perseguição política contra a direita e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Copa do Mundo 2026 é disputada em Estados Unidos, Canadá e México. Na primeira fase, a seleção brasileira jogará apenas em solo americano. Apesar disso, magistrados evitam o risco, pois não há certeza sobre o status completo de vistos e eventuais efeitos residuais das sanções impostas pelo governo Donald Trump. Apenas Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques teriam sido poupados das restrições mais amplas.

LEI MAGNITSKY E O CASO ALEXANDRE DE MORAES

No ano passado, o governo Trump sancionou Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, instrumento para punir violações graves de direitos humanos. A medida restringiu vistos e impôs limitações financeiras a Moraes e outros. Embora as sanções econômicas contra Moraes tenham sido retiradas em dezembro após pedido de Lula, os vistos permanecem uma incógnita para vários ministros, gerando receio generalizado de constrangimento público.

O próprio Luís Roberto Barroso, que deixou a Presidência do STF em outubro, admitiu publicamente o desconforto: “Essa questão dos Estados Unidos quanto ao visto é desagradável”. Ele reconheceu a injustiça percebida, mas lembrou que se trata de decisão soberana americana.

DESESPERO E ISOLAMENTO DOS MINISTROS

O medo de serem barrados revela o desespero de parte da cúpula do Judiciário. Após anos de decisões polêmicas — marcadas por censura, prisões preventivas longas e ações vistas pela direita como lawfare contra opositores conservadores —, esses ministros agora colhem os frutos de seu isolamento internacional. Sabem que suas ações geraram repúdio em governos que priorizam liberdade de expressão e segurança jurídica, como o de Trump.

Enquanto a seleção brasileira compete, ministros preferem evitar o risco de humilhação pública. Isso contrasta com o discurso oficial de soberania e vitimismo usado quando as sanções foram aplicadas. A direita e os bolsonaristas observam o episódio como prova de que o ativismo judicial tem consequências reais: o mundo livre não tolera o que consideram abuso de poder contra valores democráticos e conservadores.

CONTEXTO POLÍTICO E REAÇÕES

A Magnitsky foi aplicada em retaliação a processos contra Bolsonaro e aliados, incluindo investigações sobre suposta trama golpista. Ministros como Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e outros tiveram vistos afetados. O caso expõe contradições: um Judiciário que se diz guardião da democracia enfrenta rejeição em nações que defendem exatamente esses princípios.

O governo Lula articulou para reverter as sanções, mas o receio persiste. A oposição conservadora vê nisso mais uma demonstração de que o STF age sem freios internos, gerando desgaste externo e constrangimento nacional.

IMPACTOS E DESDOBRAMENTOS

O episódio reforça a percepção de que ações judiciais excessivas enfraquecem a imagem do Brasil no exterior e isolam seus protagonistas. Com o Brasil em campo nos EUA, a ausência discreta de ministros do STF nos estádios simboliza o preço pago por decisões que, segundo críticos, priorizam controle político sobre imparcialidade e liberdade.