BRASIL PODE ESTAR PROTEGENDO FAMILIARES DE DITADOR CONDENADOS A MORTE
A informação teria sido passada à delegação de Damasco durante a COP30, em Belém; o Itamaraty diz que o assunto não é da diplomacia brasileira.
O novo governo da Síria suspeita que dois primos do ex-presidente Bashar al-Assad estejam no Brasil. Segundo o portal Metrópoles, interlocutores da diplomacia e da inteligência sírias disseram que o aviso foi dado por membros da comunidade síria no país à delegação de Damasco, liderada pelo presidente Ahmad al-Sharaa, durante a COP30 — a conferência da ONU sobre o clima, realizada em Belém (PA) no ano passado.
Nas últimas semanas, um tribunal de Damasco condenou à morte quatro integrantes da família Assad: o próprio Bashar, o irmão Maher e os primos Atef Najib e Wassim al-Assad. Bashar e Maher estão na Rússia e foram julgados à revelia, ou seja, sem estar presentes. Wassim foi condenado em 18 de agosto. Um dos homens apontados pelas autoridades sírias como possível refúgio no Brasil seria irmão de Wassim: engenheiro, ex-deputado do Partido Baath — o partido que sustentou o governo Assad — e acusado de contrabando no porto de Latakia, no noroeste da Síria. No início deste mês, Damasco pediu o congelamento dos bens dele por suposto apoio a uma milícia chamada al-Wa’ad al-Sadiq. O outro seria filho de Rifaat al-Assad, tio de Bashar e antigo vice-presidente, e figura em listas de sanções da União Europeia, de Mônaco, da Suíça, da Bélgica e da França desde 2023.
Os dois teriam deixado a Síria depois da queda de Assad, em dezembro de 2024, quando o grupo armado Hayat Tahrir al-Sham (HTS) tomou o poder. Não há confirmação pública de que estejam em território brasileiro. Conforme o Metrópoles, a apuração emperra na Embaixada da Síria em Brasília, ainda operada em grande parte por funcionários do antigo governo. Interlocutores do Itamaraty afirmaram que a possível presença desses familiares não é tema da diplomacia brasileira. A Polícia Federal não havia se pronunciado até a publicação da reportagem original.

