REVELAÇÕES CONTRA MORAES PODEM REFORÇAR A VOLTA DA MAGNITSKY NOS EUA
Eduardo Bolsonaro afirmou que já pediu a Washington a retomada das sanções; a PF diz que Vorcaro consultou o ministro antes de ser preso.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou, após a divulgação das mensagens do celular de Daniel Vorcaro, que ele e aliados já pediram ao governo dos Estados Unidos a retomada das sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. A lei americana permite congelar bens e barrar negócios com os EUA de quem Washington acusa de violação de direitos humanos ou corrupção. Em entrevista ao UOL News, reproduzida pelo Metrópoles, Eduardo disse: “É certo que sim, nós já pedimos e isso fica dentro da avaliação do governo americano.” Não há prazo. “A Lei Magnitsky não é um ato ilícito; é uma lei americana feita para isso e fica à conveniência do presidente da República, ouvindo os seus secretários de Tesouro e de Estado.”
O pedido veio no mesmo dia em que o relatório da Polícia Federal, com sigilo retirado por André Mendonça, mostrou que Vorcaro sabia da operação e consultou o contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA” antes de ser preso. Segundo o G1, dois dias antes da prisão, em 15 de novembro de 2025, o banqueiro perguntou se já tinha de deixar o país e se dava para “reverter isso com Paulo ou Andrei” — o PGR Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Horas antes de ser preso em Guarulhos, cobrou o ministro por notícia ou para “bloquear” a ação. A PF recuperou as mensagens de Vorcaro; as respostas, enviadas em visualização única, não foram lidas no celular do ministro, que não foi apreendido. Não há condenação nem denúncia recebida.
A Magnitsky já foi aplicada a Moraes em julho de 2025 e retirada em dezembro, após aproximação entre Trump e Lula. Em agosto, o Financial Times noticiou que o governo Trump voltou a discutir a sanção, ainda sem decisão. As novas revelações — o banqueiro avisado da operação, o pedido de ajuda contra a PF e o MP, os contratos e os encontros descritos no laudo — aumentam a pressão política sobre o ministro e podem reforçar, em Washington, o argumento para o retorno da Magnitsky. Isso é possibilidade, não fato: só o governo americano decide, e até agora não houve anúncio oficial de nova inclusão na lista.

