As eleições de 2026 podem produzir um Senado mais à direita a partir de fevereiro de 2027, ampliando a pressão política pela abertura de processos contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Duas das três cadeiras de cada Estado estarão em disputa em outubro, totalizando 54 das 81 vagas. Levantamento recente citado pelo Poder360 projeta que a oposição poderá chegar a cerca de 43 senadores, enquanto projeções anteriores já apontavam avanço expressivo de partidos de direita e centro-direita. A mudança daria à oposição maioria simples, mas ainda não os 54 votos necessários para condenar um ministro por crime de responsabilidade e determinar a perda do cargo.

A Constituição atribui exclusivamente ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, nos termos do artigo 52, inciso II, e da Lei nº 1.079/1950. Para a condenação, são necessários dois terços dos 81 senadores, ou 54 votos. O tema tornou-se uma das principais bandeiras eleitorais de candidatos ligados à direita: levantamento da Folha de S.Paulo mostrou que 39 dos 47 candidatos ao Senado apoiados por Flávio Bolsonaro — 83% — já defenderam publicamente o impeachment de integrantes do Supremo, especialmente Alexandre de Moraes.

O avanço da direita, portanto, aumenta a possibilidade política de pedidos de impeachment ganharem tramitação e apoio no Senado, mas não permite afirmar que algum ministro será afastado. Além do quórum elevado para uma condenação, cada processo exige imputação de crime de responsabilidade, rito próprio e respeito ao devido processo legal. O próprio ministro Gilmar Mendes afirmou considerar difícil a concretização dessas propostas. Caso a oposição alcance maioria e conquiste também influência sobre a Presidência do Senado, porém, a relação entre a Casa e o Supremo tende a se tornar um dos principais focos de tensão institucional em 2027.