Wallace Goes de Oliveira, de 46 anos, e Roseany de Lima Oliveira, de 48, foram mortos a tiros enquanto trabalhavam em um trailer de lanches no Novo Mondubim, em Fortaleza. Wallace sofreu 14 lesões por disparos e morreu no local; Roseany foi socorrida, mas não resistiu. Testemunhas disseram à polícia que o casal havia recusado pagar uma taxa exigida pelo Comando Vermelho e manteve o comércio aberto apesar das ameaças. Essa é uma das linhas de investigação, ao lado de outras hipóteses ainda apuradas.

A Justiça converteu em preventiva a prisão de Victor Rodrigues Freire, de 27 anos, por indícios de participação na execução. Ele afirmou ter recebido R$ 5 mil para conduzir a motocicleta, mas a Polícia Civil investiga se teria sido o autor dos disparos. Se confirmada a motivação apontada pelas testemunhas, o crime revela uma facção exercendo poder de coerção sobre trabalhadores, impondo tributos ilegais e decidindo quem pode abrir ou fechar um negócio — funções que desafiam diretamente a autoridade do Estado.

O presidente Lula transformou a defesa da “soberania nacional” em uma das bandeiras de seu governo, sobretudo diante de pressões externas. Mas soberania também exige domínio efetivo do território, proteção da vida e garantia de que o cidadão possa trabalhar sem pagar “pedágio” a criminosos. Embora a segurança pública seja uma responsabilidade compartilhada com os estados e o governo federal tenha criado em maio o Programa Brasil contra o Crime Organizado, o assassinato de Wallace e Roseany expõe a distância entre o discurso do Planalto e a realidade de comunidades submetidas ao poder das facções.