Flávio Bolsonaro se encontrou neste domingo (30), num hotel no centro de São Paulo, com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador. Também estavam Sérgio Moro, Guilherme Derrite, André do Prado e Gil Diniz. O encontro durou cerca de uma hora. Parte foi gravada para o horário eleitoral. Flávio disse que Bukele e Villatoro fizeram “um dos maiores e mais eficazes resgates de soberania” e devolveram a segurança ao povo salvadorenho.

Os pontos que a direita colheu no encontro são claros. Um: El Salvador saiu de uma das maiores taxas de homicídio do mundo — Flávio citou 128 por 100 mil — para menos de 2. Dois: ministério exclusivo de Segurança, com polícias estaduais e municipais conectadas. Três: endurecer a lei penal e acabar com a porta giratória. Quatro: 500 mil vagas e o complexo “Treva”, no molde do Cecot. Cinco: maioria no Congresso. Villatoro, segundo Flávio, disse que país grande e rico não tem desculpa para facção mandar no território — falta coragem. Flávio resumiu: “Tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais.” Organizações de direitos humanos criticam prisões em massa e denúncias de abuso em El Salvador. O ministro não falou com a imprensa.

Na avaliação editorial, o abraço vale mais do que o título da Folha. Enquanto a esquerda chama de “violação” o que derrubou o homicídio, o eleitor de rua chama de paz. Facção no Brasil ocupa cidade. O modelo salvadorenho é bruto, é político e é o único da região que tirou o bandido da calçada. Quem quiser debate fino que comece pelos mortos que deixaram de cair. O resto é nota de rodapé de ONG.