Ricardo Salles conseguiu transformar um simples deslocamento de campanha em um personagem político impossível de ignorar. O ônibus preto de dois andares, coberto pela frase “Fora Lula”, pelo número 300 e pelo desenho do “Pixuleco”, percorreu cidades do interior de São Paulo e virou uma peça de comunicação muito maior do que qualquer postagem isolada. Para o advogado e comunicador Dr. Sandro Gonçalves, Salles merece ser parabenizado pela criatividade: a campanha reuniu humor, crítica política e identidade visual em uma mensagem que o eleitor entende em poucos segundos — exatamente por isso provocou tanta repercussão.

A reação veio pela Justiça. A coligação de Fernando Haddad acionou o TRE-SP alegando que o envelopamento integral produzia o efeito de um “outdoor móvel”, proibido pelas regras eleitorais. A legislação permite adesivos de até 0,5 m² em veículos e veda a justaposição de peças que, juntas, funcionem como publicidade de grandes dimensões. Em decisão liminar, a desembargadora Claudia Fonseca Fanucchi determinou a retirada dos adesivos em 24 horas e fixou multa diária de R$ 3 mil, limitada a R$ 90 mil. Salles recebeu prazo para apresentar defesa, e a discussão ainda não terminou.

A decisão, porém, não entregou tudo o que a coligação petista pediu: o ônibus não foi proibido de circular e os vídeos publicados nas redes permaneceram no ar. A magistrada reconheceu que uma possível irregularidade física não transforma automaticamente suas imagens em conteúdo ilícito. Esse ponto é decisivo: a crítica “Fora Lula” continua protegida no debate político; o que está sob julgamento é a dimensão do suporte utilizado. A campanha de Salles pode ter perdido temporariamente os adesivos, mas já conquistou algo difícil de apagar por ordem judicial — milhões de pessoas descobriram a caravana justamente por causa da tentativa de barrá-la.