O nome escolhido para ser vice de Flávio Bolsonaro não surgiu apenas para completar a chapa: Alfredo Gaspar chega à campanha carregando milhares de páginas de uma investigação que atingiu o ponto mais sensível do presidente Lula. Ex-promotor, ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, Gaspar ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS. Foi ele quem pediu e conseguiu a aprovação da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, após mensagens extraídas pela Polícia Federal citarem um suposto repasse de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”. A defesa afirma que Lulinha nunca recebeu dinheiro do esquema nem participou das fraudes contra aposentados.

No relatório final, Gaspar foi além: sustentou que Lulinha poderia ter usado o prestígio familiar como facilitador de negócios ligados ao “Careca do INSS” e propôs seu indiciamento por tráfico de influência, lavagem de dinheiro, organização criminosa e participação em corrupção passiva. Também pediu que a Justiça analisasse a prisão preventiva, alegando risco de evasão após a mudança do empresário para a Espanha. Essas conclusões não foram acolhidas pela comissão: a base governista derrotou o parecer por 19 votos a 12, e Lulinha não foi formalmente indiciado pela CPMI. Investigações conduzidas pela Polícia Federal continuam em processos próprios, ainda sem condenação.

É justamente esse histórico que o PL pretende transformar em ativo eleitoral. Segundo o R7, Gaspar será apresentado como o “homem do Nordeste”, com agendas próprias e protagonismo no combate à corrupção. A estratégia é simples e poderosa: enquanto Flávio concentra a disputa nacional, seu vice relembra que a apuração sobre o INSS terminou no Congresso sem relatório aprovado, apesar dos indícios reunidos. Gaspar não poderá tratar suspeitas como culpa comprovada, mas conhece os documentos, os depoimentos e os pontos frágeis do governo — e deverá fazer do caso Lulinha uma das pressões mais incômodas da eleição.