Rubio nega saída após midterms e reforça sanções a Cuba, enquanto crise no Paraguai expõe pressão sobre o Escudo das Américas
Reportagens publicadas nesta quinta-feira apontam que o secretário de Estado Marco Rubio teria conversado com autoridades da Casa Branca sobre a possibilidade de deixar o governo após a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato. Segundo a Bloomberg, fontes próximas disseram que ele avaliava o passo e foi convidado a permanecer. O próprio Rubio, no entanto, desmentiu as informações em entrevista ao New York Times. Ele afirmou que servir até o fim do segundo mandato de Trump sempre foi o plano e que não sabe de onde surgem esses boatos. O Departamento de Estado e a Casa Branca classificaram o relato como fake news baseada em fontes anônimas.
No mesmo dia em que os rumores circularam, Rubio anunciou uma nova rodada de sanções contra o regime cubano. A medida atinge oito entidades e duas pessoas ligadas a redes financeiras, de transporte marítimo, importação e suporte técnico da ditadura. Entre os alvos estão empresas chinesas acusadas de fornecer equipamentos militares e de vigilância às forças armadas de Havana, além de parentes de elites do conglomerado militar GAESA. Rubio declarou que os Estados Unidos não tolerarão redes comunistas subversivas no hemisfério e que o regime canaliza recursos da ilha para o enriquecimento de sua cúpula militar.
Enquanto isso, a crise no Paraguai ganha leitura estratégica. A renúncia de Santiago Peña, motivada pelo escândalo do banco Ueno, é interpretada por analistas como o resultado de uma articulação da esquerda internacional para sabotar o Escudo das Américas, a aliança de segurança regional lançada por Trump da qual o Paraguai fazia parte. O governo Lula vê a saída de Peña como mais um revés para os aliados de Trump na região, após a reeleição do petista e a derrota republicana nos Estados Unidos. O próprio Peña havia alinhado o país à agenda de Washington, autorizando presença militar americana e declarando facções brasileiras como organizações narcoterroristas.
A análise circula em redes e aponta o contraste: a esquerda age em bloco, engole egos e derruba governos alinhados à direita regional, enquanto setores da direita no Brasil e nos EUA seguem fragmentados por vaidades pessoais. A advertência é que a Argentina pode ser a próxima. Com a direita dividida e a esquerda coordenada, o Escudo das Américas enfrenta pressão exatamente no momento em que a derrota nos midterms reduz o capital político de Trump e de seus principais operadores, como Rubio.

