O jornalista e apresentador espanhol Javier Negre, do Right News Show, afirmou que o governo de Lula da Silva e o Foro de São Paulo pretendem financiar o kirchnerismo novamente nas eleições argentinas de 2027. Em postagem que circula nas redes, Negre declarou: “El socialismo de Lula y el Foro de São Paulo van a financiar al kirchnerismo de nuevo en las próximas elecciones”. Ele completou que a Argentina não pode se tornar colônia do Foro de São Paulo nem o quintal de Lula, e pediu vitória no primeiro turno.

A declaração surge dias depois de uma comitiva de estrategistas da campanha de Lula desembarcar em Buenos Aires. O deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do canal “Exército de Lula”, se reuniu no dia 2 de novembro com a ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar pela condenação no caso Vialidad, e com o ex-ministro da Economia Sergio Massa. Acompanharam Janones os publicitários Chico Kertész e Rafael Marroquim, que atuaram na campanha petista. Janones publicou foto ao lado de Cristina e escreveu que estão juntos para dizer ao mundo que é possível derrotar a extrema direita.

Segundo relatos de veículos como CNN Brasil e Folha de S.Paulo, o objetivo das reuniões foi o intercâmbio de técnicas de mobilização digital e comunicação usadas na reeleição de Lula, além da articulação de uma frente ampla anti-Milei. Massa busca a candidatura peronista para 2027 e quer criar uma coalizão que inclua forças além do kirchnerismo. Cristina, embora inelegível, permanece figura central na definição do candidato opositor.

Negre e outros analistas da direita interpretam a movimentação como continuidade da rede do Foro de São Paulo, organização fundada por Lula e Fidel Castro na década de 1990 para coordenar a esquerda latino-americana. O presidente argentino Javier Milei já havia acusado anteriormente o governo brasileiro de financiar campanhas e operações contra sua gestão. Em 2023, houve denúncias de que Lula teria atuado para viabilizar empréstimo de US$ 1 bilhão da CAF à Argentina, o que beneficiou o então candidato Massa. Embora fact-checks tenham esclarecido que os recursos não saíram diretamente do Tesouro brasileiro, a intervenção política foi reconhecida.

Não há comprovação pública, até o momento, de transferência direta de recursos brasileiros para a campanha kirchnerista de 2027. O que está documentado é a coordenação política e o envio de estrategistas digitais do entorno de Lula para assessorar a oposição argentina. Para a direita regional, a visita de Janones e a fala de Negre reforçam a tese de interferência do Foro de São Paulo nos processos eleitorais dos países vizinhos.

A eleição presidencial argentina está marcada para outubro de 2027. Milei deve buscar a reeleição, enquanto o peronismo tenta unificar candidatura em torno de nomes como Massa ou Axel Kicillof. A presença ativa de operadores brasileiros eleva a tensão diplomática e o debate sobre influência externa no continente.