Irã ameaça cortar cabos de internet no Estreito de Ormuz e pressiona países do Golfo
O vídeo do perfil fernandopereira.finance que circula no Instagram com o título “O Irã pode deixar o mundo sem internet” trata de uma ameaça real feita por autoridades iranianas, mas com alcance bem menor do que o título sugere.
Em 19 de outubro de 2026, o porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Hossein Mohebbi, afirmou que sete cabos principais de internet passam sob o Estreito de Ormuz e que, se o Irã for atacado, “novos alvos e novas armas” seriam revelados. Yadollah Javani, vice-chefe de assuntos políticos da IRGC, reforçou a mesma linha: cabos de internet poderiam ser atingidos em retaliação a ataques contra infraestrutura iraniana.
Dois altos oficiais de segurança iranianos confirmaram à Reuters, no dia 23 de outubro, que Teerã elaborou planos detalhados para atacar os cabos submarinos no Golfo caso os Estados Unidos e Israel retomem os ataques. Um deles disse que o Irã tentaria impedir reparos para prolongar a interrupção.
Navios ligados ao Irã foram observados pela empresa de inteligência marítima Windward circulando e até “apagando” o sinal AIS sobre os corredores dos cabos no Golfo de Omã, segundo o Financial Times e a Ars Technica. A movimentação ocorreu logo após as declarações públicas.
O impacto global, porém, é limitado. Menos de 1% do tráfego internacional de internet passa pelo Estreito de Ormuz, de acordo com a TeleGeography. O corte dos cabos afetaria principalmente os países do Golfo que dependem exclusivamente dessas rotas: Iraque, Kuwait, Bahrein e Catar não têm alternativa submarina que evite Ormuz. Emirados Árabes e Omã têm outras opções, mas ainda assim sofreriam lentidão.
O Irã já demonstrou capacidade de cortar a própria internet. Em janeiro de 2026, durante protestos, o regime impôs um apagão que reduziu a conexão a cerca de 1% do normal por semanas, inclusive interferindo em terminais Starlink com jammers. A diferença agora é a ameaça de atingir infraestrutura internacional.
Pequim e Moscou observam de perto. Qualquer interrupção prolongada no Golfo afeta rotas digitais entre Europa, Ásia e Oriente Médio e eleva o risco de novos confrontos na região que já concentra cerca de 20% do petróleo mundial.
A declaração de Mohebbi e os planos relatados pela Reuters mostram que o regime iraniano elevou o tom: não se trata apenas de energia, mas também de comunicação. Ainda assim, a ideia de um “apagão mundial” não se sustenta. O que existe é uma ameaça concreta de isolar digitalmente parte do Golfo Pérsico se a tensão militar subir de novo.

