Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, afirmou nesta quinta-feira, em entrevista ao The New York Times na Casa Branca, que as eleições na Venezuela se realizarão idealmente em 2027. A declaração condiciona o pleito à conclusão de uma série de reformas institucionais, econômicas e de segurança, conforme reportado por agências como EFE e Infobae.

Segundo Rubio, o país precisa renovar o Tribunal Supremo de Justiça e o Conselho Nacional Eleitoral, avançar na reestruturação de uma dívida estimada em mais de 200 bilhões de dólares e reformar as forças de segurança antes de convocar comícios livres. Ele expressou expectativa de que as conversas patrocinadas por Washington entre o governo de Delcy Rodríguez e setores da oposição permitam reformar o máximo tribunal até meados de dezembro e nomear novos integrantes do conselho eleitoral na próxima semana.

Rubio evitou garantir que as eleições ocorram antes do fim do mandato de Donald Trump, em janeiro de 2029. As declarações ocorrem após a captura de Nicolás Maduro em janeiro de 2026 e o apoio da administração americana a uma folha de rota de transição que inclui a renovação das instituições controladas pelo chavismo. A líder opositora María Corina Machado também tem defendido eleições em 2027, embora o cronograma precise de bases sólidas para evitar repetição das fraudes do regime anterior.

No Brasil, o senador Flávio Bolsonaro, em live no Instagram após o segundo turno de 2026, também falou em nova disputa presidencial, mas antes de 2030. “Eu não tô falando de 2030 não, eu tô falando de antes disso”, afirmou, deixando no ar o suspense sobre uma possível antecipação do calendário eleitoral brasileiro, em meio a discussões sobre a validade da chapa vencedora e a necessidade de instituições que garantam o resultado da vontade popular.

A fala de Rubio reforça a pressão americana por uma transição real na Venezuela, com instituições renovadas que impeçam o controle de aparatos eleitorais e judiciais pelo antigo regime. O contraste com o cenário brasileiro destaca o debate sobre prazos e condições para que eleições reflitam a escolha dos cidadãos, sem interferências que comprometam a legitimidade do processo.