Roberta admite articulação com Marcola enquanto PF aponta R$ 217 mil em pagamentos
Lobista reconhece que buscou ajuda do então chefe de gabinete de Lula para projeto de canabidiol, mas nega contrapartida; PF identificou pagamentos de despesas pessoais no mesmo período.
A empresária e lobista Roberta Luchsinger admitiu que procurou Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe do gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para buscar apoio a uma proposta de fornecimento de canabidiol ao governo federal, mas negou ter feito pagamentos em troca de influência. A admissão ganha relevância diante de documentos da Polícia Federal que apontam que Roberta pagou R$ 217.098 em despesas pessoais de Marcola entre fevereiro e novembro de 2024, incluindo faturas de cartão de crédito, parcelas de financiamento de veículo, consórcio, Pix e outros gastos.
Segundo a PF, parte expressiva dos pagamentos ocorreu no mesmo período em que Roberta e Marcola mantinham tratativas relacionadas aos interesses da World Cannabis e de Antônio Carlos Camilo Antunes junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência. Mensagens analisadas pelos investigadores mostram Marcola enviando boletos e Roberta encaminhando comprovantes de pagamento. Em paralelo, Roberta reconheceu publicamente ter buscado Marcola para tentar viabilizar a proposta de canabidiol. Marcola admite ter recebido os valores, mas sustenta que se tratava de um empréstimo pessoal já integralmente quitado; Roberta afirma que apenas ajudou um amigo e nega pagamento por favorecimento.
A combinação desses elementos reforça a linha investigativa da PF e cria uma questão central a ser esclarecida: qual era a causa jurídica dos pagamentos e se existia relação entre a ajuda financeira e as articulações dentro do governo. Isso, porém, não equivale a uma confissão de corrupção ou tráfico de influência. A própria PF registra que ainda não conseguiu esclarecer satisfatoriamente a origem da obrigação e a finalidade de todos os pagamentos. Caberá à investigação verificar se houve contrapartida, ato de ofício ou vantagem indevida; até o momento, os envolvidos negam ilegalidades e não há condenação pelos fatos.

