Uma mensagem, uma reunião confirmada e, apenas um mês depois, o anúncio de R$ 59 bilhões: a sequência descoberta no celular de Roberta Luchsinger criou uma nova e explosiva pergunta para o Planalto. Segundo reportagem do Estadão baseada no material da Polícia Federal, a lobista avisou Lulinha, em 22 de maio de 2024, que o governador do Maranhão, Carlos Brandão, seria recebido pelo então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. Roberta afirmou que o filho do presidente havia conseguido a agenda e que Lula prosseguiria com a liberação de uma obra. O encontro aparece na agenda oficial, às 17h40, como “Reunião Executiva”.

Em 21 de junho, Lula desembarcou em São Luís e anunciou mais de R$ 59 bilhões em investimentos do Novo PAC para o Maranhão, incluindo projetos no Porto do Itaqui e na Avenida Litorânea. O valor representa uma carteira de obras e investimentos — não um repasse integral feito naquele dia — e a proximidade das datas, por si só, não prova que o pacote nasceu da articulação descrita por Roberta. Mas o contexto exige explicações: a PF apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo a lobista e Lulinha e afirma que ela intermediou negócios da empresa 3Structure, que obteve R$ 5,8 milhões em contratos com órgãos maranhenses; o empresário ligado à companhia teria transferido ao menos R$ 2,5 milhões a Roberta entre 2024 e 2025.

Até agora, não há confirmação de que Lula seja formalmente investigado por essa reunião ou de que tenha ordenado uma liberação irregular. A linha investigativa alcança a possível influência de Roberta e Lulinha sobre agentes públicos e negócios privados; para atingir o presidente criminalmente, seria necessário demonstrar que ele conhecia e aderiu a uma atuação ilícita, e não apenas que aprovou obras públicas. Brandão nega relação com a lobista e diz que sua agenda não depende de intermediários; a defesa de Lulinha denuncia vazamentos eleitorais, e o Planalto não apresentou resposta específica. A coincidência não encerra o caso — mas transforma a origem, os critérios e os beneficiários das decisões em perguntas que a investigação terá de responder.