Lula se inclui entre os que não acreditam em Deus e levanta dúvidas sobre sua lucidez
Declaração ocorreu durante comício no Rio e expõe contradição entre a fala espontânea e o uso político da fé
“A gente que não acredita em Deus.” A frase saiu da boca de Lula — e sua construção inclui o próprio presidente entre os que não creem. O vídeo é verdadeiro e foi gravado neste sábado (22), durante comício no Estádio Moça Bonita, em Bangu, no Rio de Janeiro. Ao elogiar o governador interino Ricardo Couto, Lula declarou que “a gente que não acredita em Deus” deveria lembrar que, quando tudo parecia perdido, “Deus nos deu um homem chamado Ricardo Couto”. No sentido direto das palavras, Lula se colocou dentro do grupo dos que não acreditam em Deus. A referência posterior a Deus não desfaz necessariamente a declaração: expressões como “se Deus quiser” e “Deus nos deu” também são usadas culturalmente por pessoas sem fé religiosa.
A fala pode ser interpretada como um ato falho que deixou escapar uma convicção normalmente escondida atrás do discurso eleitoral. Lula já recorreu inúmeras vezes à religião, apresentou Jesus como referência política e buscou aproximar-se de católicos e evangélicos. Agora, ao dizer “a gente que não acredita”, abre uma contradição difícil de explicar: ou revelou espontaneamente que não crê, ou perdeu o controle da própria frase num momento público decisivo. Para um presidente experiente, com décadas de palanque, qualquer uma das hipóteses produz forte desgaste entre eleitores cristãos.
O episódio também torna inevitável o paralelo com Joe Biden. Nos Estados Unidos, tropeços, frases interrompidas e confusões transformaram a idade e a aptidão do presidente em questão eleitoral até sua retirada da campanha de 2024. Lula tem 80 anos e pede ao país mais um mandato; por isso, questionar sua lucidez política, sua capacidade de improvisação e a transparência sobre sua saúde é legítimo. Um único vídeo não autoriza diagnóstico médico de insanidade, mas o eleitor não precisa ignorar sinais públicos. A frase sobre Deus será agora mais uma prova observada durante a campanha: confissão involuntária de ateísmo, perda momentânea do raciocínio — ou as duas coisas ao mesmo tempo?

