PRINT ACIDENTAL EM VÍDEO DE RECONCILIAÇÃO EXPÕE CONTATO DE ASSESSOR DE MICHELLE BOLSONARO COM JORNALISTA DO BRASIL 247
Um descuido na gravação de tela de um vídeo de reconciliação entre Michelle e Flávio Bolsonaro revelou a conversa de WhatsApp em que o coronel André Costa, assessor de comunicação da ex-primeira-dama, oferece materiais de sua lista de transmissão a um jornalista do site alinhado ao PT. O próprio assessor emitiu nota explicando o episódio.
Um vídeo de reconciliação entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, que circulou nas redes a partir de 23 de julho de 2026, expôs nos segundos finais, por erro operacional de gravação de tela, a lista de conversas do WhatsApp de quem gravava o material. A tela pertence a um jornalista identificado como Leo (Leonardo Sobreira), vinculado ao Brasil 247. Nela aparece a mensagem enviada por André Costa, salvo como “Ascom Michelle Bol.”: “Será um prazer receber os materiais da sua lista de transmissão e conhecê-lo”. O print também registra contatos com “Gisely STF” e o grupo “Comunicação Zema”.
O DESLIZE NO VÍDEO DE RECONCILIAÇÃO
O material gravado era um status (story) do WhatsApp contendo trecho em que Michelle Bolsonaro fala sobre se ter recolhido e afastado das articulações políticas, em discurso de aceitação do pedido de desculpas de Flávio. A reprodução automática das conversas no final da gravação mostrou a lista completa do celular do jornalista. Homero Gottardello, colaborador do blog do 247 em Belo Horizonte, trata o interlocutor como “Leozaço, meu craque”, reforçando a vinculação ao veículo. O Brasil 247, fundado por Leonardo Attuch, mantém linha editorial abertamente alinhada ao PT e ao governo Lula
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A MENSAGEM DO ASSESSOR ANDRÉ COSTA
Às 14h56 daquele dia, André Costa, coronel da Polícia Militar e assessor de comunicação de Michelle Bolsonaro no PL Mulher (ex-chefe da Secom no governo Bolsonaro), enviou a mensagem oferecendo os materiais de sua lista de transmissão. O jornalista respondeu positivamente ao convite de receber o conteúdo e de um eventual encontro pessoal. Na mesma tela aparecem a resposta “Obrigado” de um contato salvo como Gisely STF e a adição de número no grupo de comunicação ligado a Romeu Zema.
A NOTA DE ESCLARECIMENTO DO CORONEL
Em nota divulgada na noite de 27 de julho de 2026, André de Sousa Costa afirmou que o fragmento circulou “sem contexto” e “com intenção clara de distorcer”. Segundo ele, em meados de julho o jornalista Leo Sobreira — até então desconhecido — o procurou pedindo esclarecimentos sobre uma postagem da então presidente do PL Mulher. A versão apresentada pelo jornalista não condizia com os fatos. Costa prestou os esclarecimentos oficiais e, ao final, informou que mantinha lista de distribuição de informações oficiais para jornalistas de diversos veículos, oferecendo incluir o interlocutor. “Esse é um procedimento típico de toda e qualquer assessoria de comunicação”, escreveu. Classificou como “incorretas, maldosas e descabidas” as interpretações de que estaria fornecendo material de forma maliciosa para prejudicar alguém.
O HISTÓRICO DO ASSESSOR COM A CANDIDATURA DE FLÁVIO
Em dezembro de 2025, antes da confirmação oficial, André Costa enviou mensagens pela lista de transmissão classificando como “ridícula” a reportagem que apontava Flávio Bolsonaro como o nome escolhido pelo pai. Após a confirmação pública de Michelle e do PL, recuou e afirmou estar alinhado ao partido. Na mesma época, republicou conteúdos que destacavam rejeição a Flávio em pesquisas e declarações de Silas Malafaia defendendo recuo em favor de outras opções. Costa atribuiu as republicações a hábito de engajar perfis de direita sem prestar atenção ao conteúdo.
O QUE O EPISÓDIO COLOCA EM DEBATE
O print registra um canal de comunicação direto entre a assessoria de Michelle Bolsonaro e um veículo de linha editorial oposta ao bolsonarismo. Em política, confiança é tudo. O descuido operacional transformou uma conversa de assessoria em registro público de aproximação com a imprensa adversária, no mesmo período em que a reconciliação entre Michelle e Flávio ainda era recente e o entorno da ex-primeira-dama seguia sob escrutínio dos próprios bolsonaristas. O assessor mantém que se trata de rotina profissional de envio de material oficial. O registro, porém, permanece e exige as explicações que ele próprio já começou a prestar.

