GABINETE DE ANDRÉ VENTURA NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA É VANDALIZADO E PJ INVESTIGA
Líder do Chega denunciou que o espaço foi remexido durante a madrugada desta terça-feira. Documentos relacionados com a comissão de inquérito a Luís Neves e informações políticas sobre o gabinete do primeiro-ministro desapareceram. Polícia Judiciária atua por meio da Unidade Nacional de Contraterrorismo.
O líder do Chega, André Ventura, denunciou nesta manhã de terça-feira, 28 de julho de 2026, que o seu gabinete na Assembleia da República, em Lisboa, foi vandalizado durante a madrugada. Em publicação nas redes sociais acompanhada de vídeo e fotos, Ventura mostrou documentos, jornais e objetos espalhados pelo chão, armários abertos e o local completamente remexido.
A DENÚNCIA DO LÍDER DO CHEGA

“Assim está o meu Gabinete esta manhã na Assembleia da República. Alguém estava à procura de alguma coisa e não se coibiu de agir dentro do próprio Parlamento. Não sei ainda se foi roubado algum documento ou não, mas atingimos o grau zero da nossa democracia”, escreveu Ventura. Em declarações posteriores aos jornalistas, o deputado afirmou que desapareceram dois lotes de documentos e duas pen drives: um conjunto relacionado com a comissão parlamentar de inquérito que o Chega pretende criar para escrutinar os mandatos de Luís Neves (atual ministro da Administração Interna e ex-diretor nacional da Polícia Judiciária) e outro com informação política sobre o gabinete do primeiro-ministro, além de pertences pessoais.
POLÍCIA JUDICIÁRIA NO LOCAL
A Polícia Judiciária confirmou ter tomado conta da ocorrência e estar a desenvolver diligências através da Unidade Nacional de Contraterrorismo. O alerta inicial foi dado por uma funcionária de limpeza e, em seguida, por um deputado do Chega que encontrou o gabinete nessa condição. Apenas o espaço de André Ventura aparenta ter sido atingido; as demais salas do grupo parlamentar não apresentam sinais de invasão.
ATO DE INTIMIDAÇÃO, SEGUNDO VENTURA
O líder do Chega rejeitou qualquer hipótese de encenação e classificou o episódio como “ato de intimidação e condicionamento”. Fez associação direta com declarações recentes em que afirmou possuir “documentos relevantes” sobre Luís Neves. Ventura também criticou a falta de videovigilância na área nobre do Parlamento e defendeu o reforço da segurança no edifício.
REAÇÕES INSTITUCIONAIS
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, informou que está a acompanhar o caso em articulação com os serviços da casa, mas reforçou que a investigação compete à Polícia Judiciária. O primeiro-ministro português também reagiu, considerando que, se confirmado o ato de vandalismo, trata-se de algo “inconcebível em democracia” e que deve ser investigado com a devida responsabilização dos autores.
O episódio ocorre em pleno Parlamento e alimenta o debate sobre a segurança das instituições e a proteção da atividade política da oposição de direita em Portugal.

