O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve prestar depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira, 28 de julho de 2026, às 14h, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A oitiva ocorre no âmbito de inquérito que apura suspeita de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decorrente de uma publicação nas redes sociais.

A POSTAGEM QUE MOTIVOU A INVESTIGAÇÃO

Em 3 de janeiro de 2026, após notícias sobre a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro publicou no X uma mensagem associando o presidente Lula ao então líder venezuelano. O texto dizia: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”. A Polícia Federal concluiu, em relatório enviado a Moraes, que o senador imputou falsamente a Lula a prática desses crimes, configurando calúnia.

DECISÃO DE MORAES E TENTATIVA DE ADIAMENTO

O inquérito foi aberto em abril por ordem de Moraes, após representação da PF com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. A defesa de Flávio solicitou o adiamento da oitiva alegando incompatibilidade de agendas ligadas à pré-campanha. Moraes negou o pedido, afirmando que não houve comprovação da impossibilidade de comparecimento e determinou a realização do ato nesta terça-feira para garantir o regular prosseguimento das investigações.

AS OPÇÕES DO SENADOR E O CLIMA COM A PF

Até o momento, Flávio Bolsonaro não havia definido publicamente se comparecerá presencialmente, fará o depoimento de forma remota, permanecerá em silêncio ou apresentará esclarecimentos por escrito. Aliados afirmam que ele avalia as três possibilidades. O clima entre o pré-candidato e a Polícia Federal é tenso: Flávio rejeitou a proteção policial oferecida a candidatos à Presidência, alegando desconfiança na corporação comandada por Andrei Rodrigues. A narrativa de perseguição política, já central na campanha bolsonarista, tende a ser reforçada independentemente do formato da oitiva.

O QUE PODE ACONTECER A SEGUIR

A PGR ainda deve se manifestar sobre o relatório da PF e decidir se oferece denúncia, pede novas diligências ou arquiva o caso. Uma eventual retratação poderia extinguir a punibilidade, mas até agora não houve movimento nesse sentido. Em ano eleitoral, o depoimento de um pré-candidato à Presidência por ordem do mesmo ministro que conduz processos contra a família Bolsonaro alimenta o debate sobre seletividade e uso do aparato estatal contra a oposição.