Presidente do Supremo da Bolívia foge do país após ameaças e em meio a investigações criminais
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, afirmou ter deixado o país nesta quinta-feira (5/11) após receber ameaças de morte e temer pela segurança da família.
A saída acontece em meio a investigações criminais contra ele por tráfico de substâncias controladas e associação criminosa. O magistrado acusa o governo do presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, de perseguição política.
O Ministério Público informou que Saucedo é alvo de pelo menos duas investigações e já teve ordem de prisão emitida. O procurador-geral interino, José Armando Urioste, disse que o órgão vai pedir à Interpol um alerta vermelho para localizar o juiz, de 38 anos.
Em publicação no X, Saucedo afirmou que teme ser preso ou assassinado por questionar interesses políticos. Como exemplo, citou a morte do magistrado Víctor Hugo Claure, do Tribunal Agroambiental, assassinado a tiros em Santa Cruz em abril. “Mataram-no porque afetou interesses de corruptos e são cúmplices aqueles que até hoje encobrem esse fato. Não quero que me aconteça o mesmo, por isso prefiro ir-me embora”, escreveu.
O presidente da Suprema Corte negou responder a processos criminais em andamento, mas disse esperar que novas ações sejam abertas. Descartou ter renunciado e afirmou que pretende voltar quando a segurança estiver garantida. “O governo já tem um acordo com quem se pretende que exerça a minha suplência. Quero dizer-lhes uma coisa muito clara: NÃO VOU RENUNCIAR AO CARGO QUE ME DEU O VOTO DO POVO CRUZEÑO!”, escreveu.
A saída de Saucedo ocorre sob o governo de Rodrigo Paz enquanto o Ministério Público avança com investigações e pedido de alerta vermelho da Interpol. O magistrado alega perseguição política e ameaças de morte, enquanto as autoridades apontam crimes de tráfico e associação criminosa.

