A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (6) a Operação Heritage para apurar a suposta prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, peculato, lavagem de dinheiro e uso indevido de informação privilegiada. Segundo reportagens de veículos de imprensa, o ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil), atual candidato ao Senado, figura entre os alvos da ação, que também alcança o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), desembargadores e um procurador do estado.

MANDADOS E BLOQUEIO DE BENS

Policiais cumprem 25 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. A Justiça determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens até o limite aproximado de R$ 316 milhões, o afastamento dos sigilos bancário e fiscal, o recolhimento de passaportes e a proibição de contato entre investigados. Em relação a Mendes, reportagens indicam medidas de recolhimento de passaporte e restrição de contatos.

ORIGEM NO ACORDO COM EMPRESA DE TELEFONIA

As investigações tiveram início a partir da análise de um acordo celebrado entre o estado de Mato Grosso e uma empresa privada de telefonia (apontada pela imprensa como a Oi), envolvendo a restituição de valores de disputa tributária. A Polícia Federal afirma que há indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de recursos públicos superiores a R$ 308 milhões, por meio de fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar a origem, a movimentação e a destinação dos recursos. O acordo foi firmado durante a gestão de Mauro Mendes.

CRIMES EM TESE E PRÓXIMOS PASSOS

Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada. A nota oficial da Polícia Federal não detalha nominalmente todos os investigados. O material apreendido e os dados obtidos com as quebras de sigilo serão analisados nas próximas etapas. Até o momento, não houve posicionamento oficial público de Mauro Mendes sobre a operação.