O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse neste domingo (4), no Centro Integrado de Comando e Controle Nacional, que a inteligência da corporação está apurando uma representação da Advocacia-Geral da União sobre interferência externa nas eleições. “Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso.” A área técnica olhou o pedido no sábado (3). A AGU também acionou a Procuradoria-Geral da República no dia 1º de outubro.

A representação se apoia numa reportagem do jornal britânico The Guardian. O texto diz que o Departamento de Estado destinou cerca de US$ 1 milhão, cerca de R$ 5 milhões, a um programa chamado combate ao lawfare e à censura no Brasil, voltado a grupos que se opõem ao que o projeto trata como abuso do poder judicial e censura do Supremo. O valor faz parte de um pacote de US$ 175 milhões, cerca de R$ 918 milhões, do principal fundo de direitos humanos do Departamento de Estado, com destinos em outros países. A AGU escreveu que a reportagem noticia, com evidências, um possível uso de verba pública americana para financiar redes no Brasil, interferir no debate e deslegitimar o STF. Lembrou que a lei eleitoral veda financiamento ou subordinação de partido por governo estrangeiro. Isso é o pedido de apuração. Não é uma conclusão da Polícia Federal.

No sábado, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, tinha dito ao Globo que os órgãos de inteligência parceiros da Corte não apontavam ameaça concreta, nem internacional nem do crime organizado, à votação de hoje. O que Andrei descreveu agora é o encaminhamento de um procedimento prévio, ainda sem portaria de inquérito. Ele também disse que o pleito ocorre de forma tranquila, sem intercorrência grave além do que já se espera numa eleição.

Na mesma entrevista, Andrei afirmou que a PF apreendeu mais de R$ 350 mil em espécie nesta manhã, em casos possivelmente ligados a compra de votos. O boletim oficial da corporação, fechado às 9h, era menor: R$ 57.379 em bens e valores, dos quais R$ 34.228 em dinheiro, com 3 inquéritos, 6 termos circunstanciados e 28 pessoas conduzidas. Os dois números são da própria PF, em horas diferentes. O das 9h ainda passava por validação.