PENTÁGONO QUER MANDAR DRONES REAPER À AMÉRICA LATINA E DEIXA OPERAÇÃO EM TERRA NA MESA
O general Francis Donovan, do Comando Sul, disse ao Wall Street Journal que quer todas as opções abertas no combate às drogas. O Brasil está fora do Escudo das Américas
O general Francis L. Donovan, comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, disse ao Wall Street Journal que quer todas as opções sobre a mesa para o próximo passo da presença militar americana na América Latina, no discurso de combate às drogas. A reportagem, repercutida na quinta (1º), registra que ele não descartou operação terrestre em países da região, no âmbito do programa Escudo das Américas, e que o Pentágono pretende enviar drones MQ-9 Reaper. Esse aparelho serve para interceptar comunicação, detectar calor e fazer ataque de precisão. Alguns já foram usados contra embarcações no Caribe e no Pacífico próximo à América Latina.
O plano dos drones não nasceu neste sábado. Em 18 de setembro, a CNN informou, com seis fontes a par do planejamento, que os Estados Unidos devem transferir MQ-9 Reaper que operam na África para o comando responsável pela América do Sul, dentro de uma leva de equipamento deslocada para operações antidrogas e antiterrorismo. O número de aeronaves não foi divulgado, e o Equador apareceu como possibilidade, sem anúncio de onde cada um ficaria baseado. O Escudo das Américas foi lançado em março, num evento na Flórida, com 12 membros. O Brasil não assinou. A Opera Mundi registrou que o governo de Lula não demonstra interesse em entrar, e que Flávio Bolsonaro prometeu levar o país ao programa se for eleito.
Um reel da Folha do Estado, publicado na madrugada deste sábado, apresenta o tema com o título “GloboNews: EUA deslocam aviões e drones para América Latina às vésperas das eleições”. Não encontrei, na GloboNews, uma confirmação de que aviões estejam sendo deslocados agora, neste fim de semana, por causa do pleito de domingo. O que está no jornal e na CNN é a intenção de reforçar a região com os Reaper e a frase do general de que a opção terrestre continua aberta, no mesmo momento em que a embaixada americana no Brasil está fechada e Trump disse que acompanha a eleição muito de perto. O alvo que esses textos nomeiam é o narcotráfico. O Brasil, até aqui, está fora do tratado.

