O pastor evangélico Márcio Poncio foi um dos alvos presos nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal na 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada no Rio de Janeiro. A ação investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de operações policiais para o Comando Vermelho (CV), uma das principais facções criminosas do país.

De acordo com a PF, a operação busca aprofundar apurações sobre lavagem de dinheiro praticada pelo “capo” da nova cúpula do jogo do bicho e possíveis ramificações do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo fluminenses. A autorização para as medidas partiu do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o sequestro de bens e valores até o montante aproximado de R$ 22 milhões.

Entre os alvos da fase atual estão o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar — que já se encontra preso e foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) —, o contraventor Adilsinho e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. A operação é sequência de investigações anteriores que identificaram listas com supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade ligada à lavagem de dinheiro.

INDÍCIOS DE LIGAÇÕES COM A FACÇÃO

O material apreendido em fases anteriores chamou atenção por conter indícios de repasses diretos a agentes políticos do Rio de Janeiro. A PF apura se houve vazamento sistemático de informações sigilosas que beneficiariam o CV, comprometendo ações de segurança pública no estado.

A 5ª fase reforça o foco da investigação em conexões entre o mundo político, a contravenção e o crime organizado. A PF destacou que a operação visa desarticular estruturas que utilizam o poder público para proteger atividades ilícitas.

O caso ganha relevância em meio ao debate nacional sobre infiltração de facções em instituições e o combate ao crime organizado, especialmente no Rio de Janeiro, tradicional reduto de influência de grupos como o CV.