Eduardo Paes publicou um vídeo no carro, ao lado da mulher, Cris, em que avisa que vai passar o fim de semana no sítio. “Adivinha o que eu vou fazer com a minha principal eleitora hoje? Vamos passar o fim de semana no sítio.” E fecha: “Tô sereno, tranquilo. Triste, queria ter ganhado, mas viva o Rio de Janeiro.” O texto fala da eleição dele, não de Lula. Quem leu o passeio como abandono da campanha petista foi o perfil que repercutiu o vídeo. Paes não diz, nessa gravação, que retirou o apoio ao presidente.

A derrota que ele reconheceu é a do governo do Rio. No domingo, Douglas Ruas, do PL, teve 4.271.199 votos, 49,27% dos válidos, e Paes, do PSD, 3.706.984, 42,76%. Anthony Garotinho teve 274.411 votos, 3,17%. Na quinta, o TSE anulou os votos de Garotinho por 5 a 2, e Ruas passou de 50% na retotalização, cerca de 50,88%. À noite, Cristiano Zanin negou o pedido da coligação de Paes para segurar essa decisão. Paes escreveu que a maioria tinha votado por um segundo turno, que a Justiça decidiu o contrário e que decisão judicial se respeita. O TRE faz a retotalização neste sábado.

Três dias antes, na Rocinha, Paes tinha dito outra coisa sobre o Planalto. “Eu tenho muita gratidão ao presidente Lula, voto no presidente Lula, faço campanha para o presidente Lula.” No mesmo discurso disse que não é do PT, não pensa tudo igual e não é vassalo de Lula nem de Bolsonaro, e pediu o voto de quem vota em Bolsonaro porque, para ganhar o Rio, não podia ficar só no eleitorado de Lula. O fim de semana no sítio vem depois que a disputa dele acabou. A frase de apoio ao presidente, dita na quarta, segue de pé até ele mesmo a desfazer. O que o vídeo mostra é que, no sábado em que a campanha de Lula tenta se reorganizar, o nome que ela queria na rua no Rio foi para o sítio.