COLUNISTA DA FOLHA DIZ QUE LULA DEVERIA PROMETER RENUNCIAR NO PRIMEIRO DIA PARA ALCKMIN ASSUMIR
O texto é opinião, não plano da campanha, que até agora só ampliou a agenda do vice depois do primeiro turno
O colunista Gustavo Alonso escreveu na Folha, na sexta-feira, 9, que Lula deveria prometer renunciar no primeiro dia de um eventual novo mandato para que Geraldo Alckmin assumisse a Presidência. O texto está marcado como opinião. A pergunta que a própria Folha pôs no alto é se o petista seria capaz desse gesto no fim da carreira. Alonso parte do primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro ficou à frente, e diz que sobrou pouca margem para reviravolta. A campanha prometeu mostrar mais Alckmin. Para ele, isso é pouco, e a cartada seria tirar Lula da cabeça da chapa.
Como, no argumento do colunista, a legislação nesta altura não permite que um dos candidatos abandone a disputa sem prejuízo da chapa, a saída que ele propõe não é a desistência agora. É uma promessa de posse seguida de renúncia, com o vice herdando o cargo. Alonso acha que a chapa manteria a base lulista e ainda buscaria eleitores de Renan Santos, do Missão, de Augusto Cury, do Acante, e de Ronaldo Caiado, do PSD. Nada disso foi anunciado por Lula, por Alckmin ou pela coordenação. Não há nota, entrevista ou ato em que o presidente diga que vai embora no primeiro dia.
O que a campanha fez, segundo o ICL, foi outra coisa. Numa reunião de terça, 6, em Brasília, coordenadores cobraram a condução nacional da disputa e o espaço da primeira-dama, Janja, e acertaram ampliar as entrevistas regionais de Alckmin, com a hipótese de aparições conjuntas. Na quarta ele foi à Feira Central de Ceilândia. Na quinta, caminhou em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. O vice ganhou agenda porque Lula perdeu a dianteira no primeiro turno. A renúncia no primeiro dia segue sendo a sugestão de um colunista, não a decisão da chapa.

