O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria aparece nas mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro como o articulador das festas privadas que o dono do Banco Master oferecia a autoridades, segundo reportagem de capa da revista VEJA, repercutida nesta sexta-feira (25) pelo Metrópoles. Em um grupo de WhatsApp batizado de Macallan, a marca de uísque escocês, Faria e o banqueiro combinam um evento organizado para atender o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Às vésperas do fórum jurídico patrocinado pelo Master em Londres, em abril de 2024, Faria sugere uma forma de manter um encontro paralelo longe dos olhos dos convidados e escreve: “E fazemos um pacto com Davi q só pode falar pro careca”. Segundo a VEJA, “careca” era o apelido usado nas conversas entre os dois para o ministro Alexandre de Moraes, que discursou no evento.

De acordo com a revista, o banqueiro disse temer o vazamento da confraternização e admitiu que parte dos convidados só iria pela presença de mulheres contratadas. Faria propôs “pegar uma suíte em outro hotel”. Alcolumbre, então presidente da Comissão de Constituição e Justiça, foi a Londres para participar de uma das mesas de debate. À margem do fórum, Vorcaro bancou uma degustação de Macallan de R$ 3 milhões para convidados como Moraes, Dias Toffoli, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A VEJA afirma que foi por intermediação de Faria que o banqueiro se reuniu diversas vezes com Moraes. Em outra troca, um conviva comenta “Davi Alcolumbre de mochila bile (sic) com canudo com vodka”, e Faria completa: “Davi falou q esta com dança nova”.

Faria enviou nota à revista afirmando que a conversa sobre as suítes tratava de uma viagem a Londres com quatro empresários que avaliavam comprar participação minoritária no Queens Park Rangers, clube da segunda divisão inglesa, negócio que não prosperou. Segundo ele, o assunto “não tem relação alguma” com Alcolumbre, que “em nenhum momento foi cogitado para essa viagem”, e a única vez que encontrou o senador fora do Brasil foi em outubro de 2023, em Paris. Alcolumbre já havia classificado a divulgação das mensagens de teor pessoal como “sensacionalismo barato” e disse que não há ilegalidade nelas.

O conteúdo amplia a pressão sobre o presidente do Senado, que barrou a CPI do Master em maio e teve o recurso para instalá-la negado pelo ministro Cristiano Zanin na quarta-feira (23). As mensagens também mostram que, em 17 de julho de 2025, quando o Banco Central travou a venda do Master ao BRB, o presidente da Câmara, Hugo Motta, avisou Vorcaro que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, iria à casa de Alcolumbre ao fim de uma reunião. Com o nome de Moraes de novo citado no mesmo enredo, a oposição volta a cobrar que o Congresso investigue quem frequentava as festas do banqueiro.