Na quinta (3), circulou um texto apresentado como relatório da Polícia Federal. Dizia que as mensagens entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro eram só “contato pessoal e profissional” e que não havia indício para investigar o deputado. Nikolas republicou o material no Instagram e no X. A PF disse ao Aos Fatos e ao Metrópoles que não produziu a imagem nem o texto. Checagens apontaram data de 18 de novembro de 2025 — um dia após a primeira prisão de Vorcaro — enquanto o relatório verdadeiro tornado público nesta semana é de 27 de agosto de 2026. Ferramenta da OpenAI marcou SynthID no arquivo. O deputado afirmou que copiou publicação de um perfil no X, o Space Liberdade, e que apagou o post quando soube que o papel era falso.

Erika Hilton, Bella Gonçalves e Ana Elisa foram ao TRE-MG pedindo multa e prisão. O juiz extinguiu a representação sem olhar o mérito: faltou a URL da postagem, exigida por resolução do TSE. No sábado (6), os deputados do PT Rogério Correia, Lindbergh Farias e Alencar Santana protocolaram representação na Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo cassação do diploma e inelegibilidade por oito anos, sob a tese de uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder político. Anexaram laudo comparando o papel circulado com o relatório de 218 páginas da PF: sem assinatura, sem matrícula, sem número de procedimento.

A PF atestou que o documento não é dela. Nikolas atestou que não fabricou e que tirou do ar. O TRE mineiro não disse se houve crime eleitoral. A PGE ainda não se manifestou sobre o pedido de inelegibilidade. Publicar papel falso atribuído a órgão federal é o fato. Autoria da montagem e dolo do deputado são o que a Procuradoria e, se for o caso, o TSE terão de separar. Cabe a Nikolas mostrar a origem do arquivo. Cabe aos petistas sustentar o nexo entre um post apagado e a perda do mandato.