No domingo (6), às 15h04, André Mendonça liberou para o plenário do Supremo o processo sobre o relatório da Polícia Federal que identifica Alexandre de Moraes como destinatário de mensagens de Daniel Vorcaro. O documento, com sigilo retirado na terça (1º), reúne 52 recados entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025. Num deles, dois dias antes da primeira prisão, Vorcaro pergunta: “Acha que segunda já tenho que estar fora?” Noutro, pede reforço com “Andrei e Paulo”. A PF também apontou edição do contrato de 131 milhões de reais do escritório de Viviane Barci no usuário “Ministro Alexandre de Moraes”. Mendonça escreveu que o caminho “inevitável” é o colegiado, em sessão presencial e pública. A pauta agora é de Edson Fachin. Não há data.

Paulo Gonet pediu a nulidade do relatório: ministro do STF só se investiga com autorização do plenário, e a ordem de 24 de agosto teria extrapolado a identificação de interlocutores. Fachin abriu procedimento próprio, deu prazo até sexta (11) para Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues se explicarem. A PF, noutro relatório ao próprio Moraes, registrou que Mendonça perguntou mais de uma vez o que havia sobre o colega no celular de Vorcaro. Nada disso é sentença. É o estado dos autos na véspera de o presidente da Corte decidir se chama os onze.

Por que isso aperta Moraes. Enquanto o papel ficou no gabinete do relator, o vice-presidente da Corte podia tratar o episódio como vazamento e como nulidade da PGR. Liberado o feito, cada ministro terá de votar se investiga ou arquiva um colega no exercício do cargo. Sessão presencial, se Fachin aceitar o pedido de Mendonça, tira o voto do virtual e coloca o nome de cada um na ata. Arquivar exige maioria disposta a dizer que contrato, metadados e a pergunta sobre fuga não bastam para inquérito. Abrir inquérito tira Moraes da condição de só relator de outros processos e o coloca na de investigado pelo próprio tribunal. O calendário deixou de ser dele. Passou a ser de Fachin e dos votos que ainda não foram dados.