A Open Society Foundations, criada por George Soros, divulgou US$ 28,4 milhões — cerca de 153 milhões de reais — a organizações no Brasil em 2024, segundo levantamento da Gazeta do Povo sobre a base pública da própria fundação. Desde 2016 o acumulado passa de 780 milhões de reais. A lista inclui Nossas, Fundo Brasil de Direitos Humanos e institutos de comunicação e incidência. Em anos anteriores constaram Agência Pública, Instituto Vero, First Look/Intercept e entidades de “combate à desinformação”. A Not Journal, citada no Reel, já publicou que a revista Piauí tem atrás de si João Moreira Salles, herdeiro do Itaú, e trata o financiamento de veículos por fortunas como fato de mercado, não como anomalia.

A fundação descreve os repasses como apoio a direitos humanos, democracia e sociedade aberta. Quem recebe o dinheiro publica pautas de gênero, raça, clima e desinformação. Quem critica o fluxo diz que o mesmo cheque molda a cobertura do Judiciário, das eleições e da direita. Os dois lados usam o mesmo verbete: independência. A Folha e outros diários tradicionais têm acionistas e publicidade. Veículos da direita têm doador, assinatura e anúncio. O que a planilha da Open Society prova é origem e valor. Não prova que cada matéria sai ditada de Nova York.

O Reel resume: a rede de esquerda é financiada por bilionários como Soros. A planilha confirma o financiamento de ONGs e de alguns braços de mídia. Não confirma que “o jornalismo de esquerda” inteiro seja uma folha de pagamento única. Cabe à Open Society e aos veículos dizer quanto do orçamento anual vem desse cheque. Cabe ao leitor cruzar doador e pauta. Fortuna na redação não é invenção. Monopólio da narrativa é outra frase — e essa ainda precisa de prova matéria a matéria.