Já imaginou o dono do Banco Master atravessar o portão da Papuda e sorrir para a câmera? Nesta terça, Kassio Nunes Marques se declarou impedido de votar no caso de Alexandre de Moraes. Disse que, como presidente do TSE, não estava confortável. Completou que, se se sentisse cooptado, jamais teria confirmado a prisão de Daniel Vorcaro, do pai e dos demais. A frase caiu como chave. A defesa do banqueiro já prepara o recurso: se hoje ele não pode julgar Moraes, ontem também não podia julgar o Master. E ontem o voto dele fez a maioria.

Em março a Segunda Turma manteve Vorcaro na cadeia por unanimidade. Em junho repetiu o placar para o pai e o primo. Toffoli já estava de fora, suspeito. Sem Kassio, a conta não fecha. Empate no Supremo favorece o réu. Lauro Jardim e o Metrópoles ouviram o advogado: “Ele não poderia ter votado em nenhuma das ocasiões.” O mesmo ministro que agora se afasta porque o filho Kevin aparece na planilha de R$ 500 mil por mês do jurídico do Master. O mesmo que jurou isenção apontando os votos que prenderam o cliente da planilha.Daniel Vorcaro: o impedimento de Kassio pode reabrir o caminho da prisão

Ainda não é soltura. É o caminho. Delação duas vezes recusada. Cadeia de custódia sob ataque. Agora o impedimento vira nulidade da preventiva. Se o Supremo engolir a tese, o homem do rombo de bilhões volta à rua nas próximas semanas — livre, filmado, rindo na cara de quem perdeu poupança, fundo de pensão e paciência. O tribunal que deixou o investigado votar no próprio rito pode, no mesmo dia, devolver o banqueiro à vida. O Brasil vai saber se a toga prende o crime ou só o calendário.