A ministra Cármen Lúcia afirmou nesta terça-feira (15) que está em “estado de profunda consternação e tristeza” com a crise no Supremo Tribunal Federal e pediu desculpas ao povo brasileiro. “Me sinto um pouco até envergonhada, presidente, de, no momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarmos todos voltados a questões do Supremo”, disse. “Eu peço desculpa ao povo brasileiro que esperava uma postura diferente.” A ministra falou em espetacularização da sessão e afirmou que o Judiciário existe para tranquilizar o cidadão, mas que o STF gerou intranquilidade e “mal-estar cívico”.

Cármen Lúcia votou para manter separados o processo de Alexandre de Moraes e o de André Mendonça, contra o adiamento defendido por Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e o próprio Moraes. Antes dela, o plenário já havia registrado bate-boca entre Moraes e Mendonça, farpas de Gilmar com Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, e a declaração de impedimento de Kassio e de suspeição de Dias Toffoli. O alvo da pauta são as 52 mensagens de Daniel Vorcaro e o contrato de cerca de R$ 130 milhões do Banco Master com o escritório da mulher de Moraes.

A ministra lamentou não ter ajudado a encerrar a crise com mais rapidez. O mal-estar que ela nomeou, no entanto, não nasceu só do atraso. Nasceu do fato de o tribunal discutir se investiga um dos seus no mesmo dia em que o investigado vota o rito, o decano cobra contas no WhatsApp e a defesa do banqueiro já desenha pedido de liberdade. Cármen Lúcia está triste e envergonhada com a forma da sessão. A leitura que se espalhou fora do plenário é outra: a vergonha recai sobre o próprio Supremo.