O Adélio foi chamado para falar e autoridades pressionaram
Autor da facada em Bolsonaro recebeu equipe na prisão, apresentou agitação e se recusou a responder
O homem que quase mudou à força o destino de uma eleição voltou a ficar diante de perguntas — e escolheu o silêncio. Adélio Bispo, autor confesso da facada que atingiu Jair Bolsonaro em 6 de setembro de 2018, recebeu em 11 de junho uma equipe multiprofissional na Penitenciária Federal de Campo Grande. Ele aceitou o encontro, mas, quando os questionamentos começaram, não respondeu. Segundo o Metrópoles, apresentou agitação enquanto psicólogos, enfermeiro e assistente social tentavam atualizar sua avaliação mental.
É importante separar emoção de fato: não foi divulgado interrogatório criminal nem coação física. A pressão descrita foi institucional e clínica, para que Adélio participasse de uma avaliação biopsicossocial destinada a atualizar seu tratamento. Mesmo sem respostas, profissionais registraram sinais associados a esquizofrenia e outros quadros psicóticos. Considerado inimputável, ele cumpre medida de segurança por tempo indeterminado e não possui previsão atual de liberdade. A PF concluiu em três apurações que ele agiu sozinho, embora o silêncio continue alimentando perguntas que nunca desapareceram.
Entre elas está a defesa que surgiu rapidamente após o atentado: quatro advogados — Zanone Manuel de Oliveira Júnior, Pedro Augusto de Lima Felipe e Possa, Fernando Costa Magalhães e Marcelo Manoel da Costa — atuaram no caso. A origem dos honorários foi investigada e cercada de versões, incluindo atuação por marketing e ajuda de um financiador não identificado publicamente; nenhuma apuração comprovou que o pagamento tivesse ligação com um mandante da facada. Outro dado é verificável: Adélio foi filiado ao PSOL em Uberaba entre maio de 2007 e dezembro de 2014, conforme registros do TSE. Não era filiado ao partido quando atacou Bolsonaro, quatro anos depois — fato que confirma seu passado partidário, mas não prova participação da legenda no crime.

